Neste ano pude escolher sobre o que escrever, pensando nas possíveis leitoras, que acredito serem, em sua maior parte, professoras.
Consegui abordar parte das muitas conversas sobre ensino de teatro que quero ter com meus leitores. Ainda teremos muitas conversas pela frente.
Continuo, como blogueira, sendo professora! O que mais sei é pensar sobre o ensino de Arte e de Teatro. Ainda sei pouco sobre divulgar este blog, tornar ele mais atrativo, fazer as muitas coisas possíveis para que chegue em muitos outros professores e apaixonados por teatro.
Aos poucos aprenderei. Tenho alunos sabidos, que um dia vão me ensinar!
Gosto de festa, de comemorar e de acreditar que estes textos podem ajudar outras professoras a tornarem a escola melhor, fazermos juntos o teatro estar mais presente na formação das crianças.
Montagem da peça “O Avarento” em 1999, disponível em http://centrotecnicotca.blogspot.com.br
O Brasil é um país que tem nas novelas um público cativo. É possível que essa característica esteja em plena transformação desde que as séries passaram a ser veiculadas em muitos canais televisivos, mas é comum encontrarmos um grande percentual de telespectadores que assistem novelas quando estamos em um grupo.
As novelas não são todas iguais, algumas possuem uma ambientação e caracterização de personagens que foge do realismo, mas a maioria é realista.
Podemos dizer o mesmo do teatro? Com certeza não!
O teatro realista surge na segunda metade do séc. XIX e ainda que seja contestado por outras estéticas importantes e de grande representatividade, continua existindo até hoje. O realismo busca a cópia da realidade, são montagens nas quais iremos observar a representação de espaços e figurinos que tem o intuito de ser fiel ao real.
Independentemente da minha identificação com as diferentes soluções estéticas existentes, posso dizer que já assisti peças realistas maravilhosas, o que me permite dizer que esta escolha não impede a qualidade da cena.
O que impede que uma peça tenha qualidade é quando a única coisa que se espera é que ela seja uma cópia da realidade.
Montagem da peça “O Avarento” em 2006, disponível em http://www.gazetadopovo.com.br
Nas encenações escolares é comum encontrarmos a tentativa de fazer uma cena a mais parecida possível com a realidade. Como, em grande parte das vezes, o custo para ficar parecido com a realidade é muito alto, o que costumamos ver são cenários pobres tentando se parecer com os cenários novelísticos.
Além dos cenários e dos figurinos, a busca por uma gestualidade que imite o melhor possível a realidade termina de empobrecer a montagem.
É bom termos clareza de que o teatro é sempre uma representação, não é realidade e nunca será. A escolha sobre como faremos esta representação pode variar, podendo inclusive ser o mais próxima do real, mas desde que seja sempre uma escolha que faça sentido para o grupo de alunos ou de atores.
Se você não se lembra de ver nenhuma montagem que não seja realista, pesquise o teatro do absurdo. E vá mais ao teatro. Não há melhor maneira de entender este post do que assistindo peças com diferentes opções!
Imagem de Estevam Gomes, disponível em http://www.estevamgomes.com.br/
Como acontece?
Escolha algumas frases, que podem ser de um diálogo ou frases soltas, independentes uma das outras.
Distribua uma frase para cada participante e peça que eles busquem diferentes maneiras de falar esta mesma frase.
Se você estiver trabalhando com pessoas que sabem ler, estas frases podem estar escritas e serem entregues em um pedaço de papel. Caso esteja trabalhando com crianças pequenas ou adultos não alfabetizados é possível escolher uma frase curta por pessoa. Para todos a frase não deve ser muito longa.
Peça que cada um explore algumas maneiras diferentes de dizer e que compartilhe com o grupo as formas encontradas, ao menos duas delas.
Trabalhe então diferentes estímulos para modificações na maneira de falar, tais como: colocar pausas entre as palavras, prolongar algumas letras, repetir palavras, variar a altura, associar a emoções e todas as variações que você encontrar.
Depois deste exercício no qual todos estarão realizando concomitantemente, peça que eles elaborem novamente diferentes maneiras de falar a frase e compartilhem outra vez com o grupo.
Para continuar
Como continuidade desta proposta, peça que eles se reúnam em pequenos grupos nos quais criem uma cena com estas frases, estabelecendo um diálogo entre eles. É importante lembrá-los que cada um poderá dizer a frase mais de uma vez, explorando as diferentes formas de falar.
A cena poderá ser uma proposta de improvisação na qual os alunos que começam a cena combinam quem são eles, como por exemplo: uma mãe explicando para um filho como fazer um bolo ou um chefe reclamando com sua funcionária sobre um trabalho mal feito.
Depois que a cena se inicia a plateia poderá interagir com a cena, entrando como personagens novos, que poderão permanecer na cena ou sair em um tempo curto.
Caso o grupo de alunos tenha dificuldade em se organizar para que entre apenas uma pessoa de cada vez, dando tempo para que a cena incorpore este novo personagem, é possível que você coordene as entradas de cena, fazendo um sinal que seja identificado como a permissão para entrar.
Um combinado importante neste jogo é de que os participantes deem oportunidade para todos entrarem, evitando desta forma que somente os mesmos participem das cenas, fazendo com que os mais tímidos fiquem de fora.
Para variar
Uma possibilidade neste jogo é que você sugira algum acontecimento na cena. Esta sugestão é muito bem vinda quando a cena está repetitiva.
Como exemplo de sugestões a serem dadas para a cena da mãe ensinando o filho a fazer um bolo:
O forno começou a pegar fogo, pois ficou muito tempo aceso.
Um ladrão entra em casa.
O telefone toca informando que a avó do menino foi para o hospital.
A foto deste post está disponível em https://serravallenaafricadosul.blogspot.com.br/2014/08/folclore-e-cultura-brasileira.html
Quando pensamos no ensino de teatro, é comum relacionarmos com uma apresentação para os pais. Algumas escolas só fazem mesmo as apresentações, isto é, o teatro só é trabalhado com a função de apresentar o trabalho dos alunos para os pais.
Para entendermos melhor esta questão, é importante refletirmos sobre qual o sentido de nos apresentarmos dentro da situação escolar.
Fazer uma apresentação sobre o aprendizado dos alunos é sempre uma oportunidade de compartilhar com os pais aquilo que seus filhos estão vivenciando e criando. Se pensarmos sobre este ponto de vista, a apresentação é uma experiência que pode ser riquíssima dentro deste processo de permitir que os pais e a comunidade escolar participem da vida escolar dos alunos.
Ao refletirmos sobre o teatro, suas características como Arte, também chegaremos à conclusão de que fazer apresentações é algo muito positivo, já que o teatro só acontece com a presença do público!
Mas então, por que estamos colocando em dúvida a prática de apresentar peças aos pais?
Porque precisamos pensar sobre como apresentar!
A primeira reflexão é: Estamos fazendo uma apresentação de um processo de aprendizagem teatral ou estamos fazendo teatro para ter o que apresentar? Se a apresentação é decorrente de um aprendizado, ela poderá ser um ótimo momento de compartilhar o vivido e a realização de uma etapa importante no aprendizado teatral. Mas se fazemos a peça só para ter o que apresentar, não estaremos compartilhando nada da aprendizagem, pois ela não ocorreu. A prática teatral não teve um fim em si, ela só ocorreu para que houvesse uma apresentação.
Considerando que seja um momento de compartilhar o que foi aprendido pelos alunos, precisamos refletir sobre como compartilhar. Para definir a forma de apresentar precisamos responder algumas perguntas:
Os alunos querem fazer a apresentação?
Para quem eles gostariam de se apresentar?
Qual o espaço mais adequado para as cenas que montamos?
Qual a proximidade necessária com a plateia para que as falas possam ser ouvidas?
Estou dando mais importância para o cenário e figurino do que para a atuação?
A faixa etária dos meus alunos foi pensada quando elaborei a apresentação?
A prática de se apresentar é algo presente no ensino de teatro que eu proponho ou nunca ocorre nenhuma apresentação até o grande dia?
São muitos os aspectos sobre o qual precisamos refletir para fazer uma apresentação e algumas características se modificam bastante quando estamos trabalhando com crianças pequeninas, da Educação Infantil ou quando são jovens do Ensino Médio.
Este post não comporta tudo o que precisamos falar sobre este tema, mas em breve retomaremos este assunto, pensando como pode ser uma apresentação nos diferentes ciclos educacionais.
O cenário é um elemento da cena que me chama a atenção. Quando não é nada especial e não atrapalha, é um pouco decepcionante, mas quando é bom e faz parte do espetáculo, é sempre uma alegria!
Nesta peça foi o que aconteceu.
Da mesma forma que começo falando do cenário, poderia falar da iluminação ou da música, ao vivo, que acompanha a peça. São impecáveis!
Mas não pense que por esta razão você ficará prestando atenção nisto. Não! É uma peça envolvente, atrizes dão um show, atuam de maneira a fazer com que você saia do teatro feliz por ter ido até lá.
A peça é densa, as situações são intensas, mas a beleza faz parte. O texto tem passagens lindas e apesar da dureza da qual trata, o humor também perpassa o todo da montagem.
“O enredo traz à tona as diferenças presentes na relação entre gerações, marcados pelo universo da filha e pelo mundo da mãe que, segundo o diretor Newton Moreno, suscitam os questionamentos “entre até onde o contemporâneo e a tradição podem conviver e se retroalimentar e qual a negociação possível entre os dois.”
A filha, interpretada pela atriz Michele Boesche, reencontra a mãe, vivida pela premiada atriz Denise Weinberg, que na iminência do fim, já habita o cemitério a aguardar a morte, e essa última espera que a filha seja a sua Coberta da Alma, cumprindo uma longa tradição fúnebre.
Com a chegada da morte, a presença da filha e o noivo trans, encenado pela atriz Simone Evaristo, emergem segredos do passado bem como inevitáveis atritos: entre mãe e filha; entre a vida e a morte; o masculino e o feminino; entre a liberdade e a moral. Elementos que abrem a reflexão para pensar a morte e o amor, e qual o ideal de pertencimento de cada um e o que, na experiência humana, pode nos fazer imortais.”
Na divulgação feita pelo www.acontecejundiai.com.br sobre a apresentação que ocorreu em Jundiaí em março é possível saber um pouco mais sobre o que encontrar nesta apresentação.
O Rei da Vela foi escrito em 1933 e encenada pela primeira vez em 1967, com montagem dirigida por José Celso Martinez Corrêa, que a remontou agora, em comemoração aos 50 anos da primeira encenação.
Escrita por Oswald de Andrade, a peça é uma crítica à sociedade e à política de um Brasil que vivia a crise do café e as consequências do crack de 1929 da Bolsa de Nova York. Nela observamos a forma pela qual o sistema de agiotagem permite o enriquecimento de alguns em detrimento dos muitos que se tornam dependentes.
Dina Sfat em montagem de 1967. Foto de Fredi Kleemann
Estruturada em três atos, tendo como personagens centrais Abelardo I, Abelardo II e Heloísa é possível acompanhar a maneira pela qual as questões apresentadas continuam atuais. No Brasil que vivemos hoje é possível observar a crítica feita por Oswald de Andrade sobre a maneira pela qual o poder e o dinheiro se mantém nas mãos de poucos. Crítica que poderia ser feita aos mecanismos da política atual, ainda que estejamos a quase 100 anos do momento no qual foi escrita.
O questionamento sobre a moralidade e sexualidade também são aspectos significativos deste texto.
A ruptura com a ilusão teatral, evidente na fala de Abelardo I quando conversa com o ponto, ou mesmo em suas referências ao fato de ser uma peça teatral, nos apresenta a ousadia do autor nesta proposta estética.
Para que a tua vontade de ler aumente, segue um pequeno trecho, desta que é uma das mais importantes obras da dramaturgia brasileira.
Cartaz de divulgação da montagem de 2017, dirigida por José Celso Martinez Correa
O Rei da Vela – trecho do primeiro ato
Heloísa (mostrando a Gioconda) – Por que que você tem esse quadro aí…
Abelardo I – A Giocondo… Um naco de pobreza. O primeiro sorriso burguês…
Heloísa – Você é realista. E por isso enriqueceu magicamente. Enquanto os meus pais, lavradores de cem anos, empobreceram em dois…
Abelardo I – Trabalharam e fizeram trabalhar para mim milhares de seres durante noventa e oito… (Silêncio absoluto).
Heloísa – Dizem tanta coisa de você, Abelardo… Abelardo I – Já sei… Os degraus do crime… que desci corajosamente. Sob o silêncio comprado dos jornais e a cegueira da justiça da minha classe! Os espectros do passado… Os homens que traí e assassinei. As mulheres que deixei. Os suicidados… O contrabando e a pilhagem… Todo o arsenal do teatro moralistas dos nossos avós. Nada disso me impressiona nem impressiona mais o público… A chave milagrosa da fortuna, uma chave yale… Jogo com ela!
Heloísa – O pânico…
Abelardo I – Por que não? O pânico do café. Com dinheiro inglês comprei café na porta das fazendas desesperadas. De posse de segredos governamentais, joguei duro e certo no café-papel! Amontoei ruínas de um lado e ouro do outro! Mas, há o trabalho construtivo, a indústria… Calculei ante a regressão parcial que a crise provocou… Descobri e incentivei a regressão, à volta a vela… sob o signo do capital americano.
Heloísa – Ficaste o Rei da Vela!
Abelardo I – Com muita honra! O Rei da Vela miserável dos agonizantes. O Rei da vela de sebo. E da vela feudal que nos fez adormecer em criança pensando nas histórias das negras velhas… Da vela pequeno-burguesa dos oratórios e das escritas em casa… As empresas elétricas fecharam com a crise… Ninguém mais pode pagar o preço da luz… A vela voltou ao mercado pela minha mão previdente. Veja como eu produzo de todos os tamanhos e cores. (Indica o mostruário). Para o Mês de Maria, para as cidades caipiras, para os armazéns do interior onde se vende e se joga à noite, para a hora de estudo das crianças, para os contrabandistas no mar, mas a grande vela é à vela da agonia, aquela pequena velhinha de sebo que espalhei para o Brasil inteiro… Num país medieval como nosso, quem se atreve a passar os umbrais da eternidade sem uma vela na mão? Herdo um tostão de cada morto nacional!
Heloísa (Sonhando) – Meu pai era o Coronel Belarmino que tinha sete fazendas, aquela casa suntuosa de Higienópolis… ações, automóveis… Duas filhas viciadas, dois filhos tarados… Ficou morando na nossa casinha de Penha e indo à missa pedir a Deus a solução que os governos não deram…
Abelardo I – Que não deram aos que não podem viver sem empréstimos.
Heloísa – Meus pais… meus tios… meus primos…
Abelardo I – Os velhos senhores da terra que tinham que dar lugar aos novos senhores da terra!
Heloísa – No entanto, todos dizem que acabou a época dos senhores e dos latifúndios…
Abelardo I – Você sabe que o meu caso prova o contrário. Ainda não tenho o número de fazendas que seu pai tinha, mas já possuo uma área cultivada maior que a que ele teve no apogeu.
Heloísa – Há dez anos… A saca de café a duzentos mil-réis! Abelardo I – Estamos de fato num ponto crítico em que podem predominar, aparentemente e em número, as pequenas lavouras. Mas nunca como potência financeira. Dentro do capitalismo, a pequena propriedade seguirá o destino da ação isolada nas sociedades anônimas. O possuidor de uma é mito econômico. Senhora minha noiva, a concentração do capital é um fenômeno que eu apalpo com as minhas mãos. Sob a lei da concorrência, os fortes comerão sempre os fracos. Desse modo é que desde já os latifúndios paulistas se reconstituem sob novos proprietários.
Heloísa – Formidável trabalho o seu!
Abelardo I – Não faça ironia com a sua própria felicidade! Nós dois sabemos que milhares de trabalhadores lutam de sol a sol para nos dar farra e conforto. Com a enxada nas mãos calosas e sujas. Mas eu tenho tanta culpa disso como o papa-níqueis bem colocado que se enche diariamente de moedas. É assim a sociedade em que vivemos. O regime capitalista que Deus guarde…
Heloísa – E você não teme nada?
Abelardo I – Os ingleses e americanos temem por nós. Estamos ligados ao destino deles. Devemos tudo, o que temos e o que não temos. Hipotecamos palmeiras… quedas d’água. Cardeais!
Heloísa – Eu li num jornal que devemos só a Inglaterra trezentos milhões de libras, mas só chegaram aqui trinta milhões…
Abelardo I – É provável! Mas compromisso é compromisso! Os países inferiores têm que trabalhar para os países superiores como os pobres trabalham para os ricos. Você acredita que New York teria aquelas babéis vivas de arranha-céus e as vinte mil pernas mais bonitas da Terra se não se trabalhasse para Wall Street de Ribeirão Preto a Cingapura, de Manaus a Libéria? Eu sei que sou um simples feitor do capital estrangeiro. Um lacaio, se quiserem! Mas não me queixo. É por isso que possuo uma lancha, uma ilha e você…
(*) Do livro O Rei da Vela (1933). São Paulo, Editora Globo, 2003
Divida o grupo de alunos em quatro mesas, como se estivessem em um restaurante. Peça para cada grupo escolher um assunto para conversar e definir qual a relação entre eles, se são um casal, mãe e filha, colegas de trabalho, vizinhos, etc.
Proponha que uma pessoa da classe dirija a cena, colocando foco em uma mesa de cada vez. Este foco pode ser colocado com o uso de uma lanterna, que iluminará a mesa em destaque ou apenas falando o número da mesa que deverá falar alto, de forma a compartilhar sua conversa com a plateia.
A pessoa que dirige deverá alternar as mesas tendo em conta a necessidade de deixar a cena interessante, o que significa buscar momentos das conversas que valham a pena ser compartilhados e também dar oportunidade para todas as mesas.
O diretor ou diretora também poderá dar orientações aos atores/jogadores, de forma a potencializar algum conflito ou para que percebam em quem está o foco.
Este jogo permite que os alunos percebam o todo da cena e está baseado no jogo “Dar e Tomar” da Viola Spolin.
A palavra diretor está bastante associada a ideia de mandar. Existem diretores em muitos campos de trabalho e os professores costumam conviver com as diretoras de escolas, cotidianamente.
Desta forma, qual a especificidade do diretor teatral?
Acho a função do diretor muito parecida com a do professor. Sou professora há muitos anos e já dirigi algumas montagens teatrais, seja no teatro-educação ou no teatro-amador. Também já fui assistente de direção do teatro profissional e digo com tranquilidade que são funções que se assemelham.
O diretor teatral tem duas principais funções: ajudar os atores a encontrarem a melhor forma de atuar e terem uma visão do todo do espetáculo.
Para ajudar o ator nesta construção teatral é fundamental ter em mente que o ator possui capacidade de criar, portanto, compete ao diretor encontrar propostas que potencializem esta criação. Dizer a um ator tudo o que ele deve fazer é tirar dele o que existe de mais fascinante no teatro, que é a experiência criativa.
Ter a visão do todo significa fazer costuras entre as necessidades dos atores e as possibilidades para cenário, figurino, iluminação e sonoplastia. O diretor é quem estabelece costuras entre estes diferentes aspectos que compõem uma peça.
Talvez você esteja pensando que em sala de aula, em montagens feitas nas escolas, você, professora assume todas estas funções, fazendo tudo o que for necessário, sem a ajuda de ninguém. É a condição de trabalho de grande parte dos professores e não vejo nenhum problema nisto, embora acredite que uma ajuda é sempre bem vinda!
Trabalhe com seus alunos, possibilite a criação deles, escute as ideias, incorpore as sugestões e faça com que cada um se sinta autor-criador do que será apresentado.
Lembre-se: os alunos não vão para a escola para realizar o teu sonho! Não é a peça que você imaginou que deve ser montada, ainda que isto possa parecer decepcionante para você. Dirigir uma peça que é de todos, observar a felicidade de cada um por ter criado algo é o que há de melhor na vida de uma diretora ou de uma professora.
A foto deste post é de Augusto Boal em 1975, está disponível em http://www.funarte.gov.br.
Conheci esta companhia teatral por trabalhar em um projeto junto com Marcelo Soler, diretor da companhia.
Assisti “Pretérito Imperfeito”, espetáculo feito em uma casa que me lembrou a casa onde morei toda minha infância e adolescência.
Caminhar pela casa, acompanhando as diferentes narrativas, tão de pertinho com os atores, permitiu mergulhar nas histórias, sentir-se parte. Tudo isso dentro de uma casa que já parecia minha possibilitou uma identificação com o grupo imediata.
No site http://ciateatrodocumentario.com.br, é possível saber sobre as encenações, os projetos e a história desta companhia. Vale a pena entrar lá e ler mais sobre este grupo, além de se informar sobre as próximas apresentações. Aqui um pequeno trecho de sua história:
“A Cia. Teatro Documentário surge oficialmente em 2006; e como o nome indica, estuda as peculiaridades do Teatro Documentário, tanto em termos práticos como teóricos. Em torno dessa concepção o grupo realizou 3 Colóquios sobre aspectos da presença de documentos na cena teatral. Marcelo Soler, membro da Companhia, em 2010 publicou pela Editora HUCITEC o livro “Teatro Documentário: a pedagogia da não ficção”. Nesse mesmo ano o grupo adquire sua sede. A “Casa do Teatro Documentário” que além de ser espaço de ensaio, cursos e lugar para apresentações dos discursos cênicos da companhia, “abriga grupos sem sede”; realiza oficinas públicas de apropriação da linguagem cênica documental e aperfeiçoamento teórico e prático dos artistas da Companhia Teatro Documentário”.