O que é se expressar cenicamente?

Existem muitas maneiras de nos expressarmos. A expressão é parte da nossa construção pessoal e se constrói tendo como base a cultura na qual estamos inseridos. Nos expressamos quando falamos, quando escrevemos ou com caretas e gestos.

Foto de Samer Daboul no Pexels

A expressão humana ganha contornos mais específicos quando se aprofunda em uma linguagem e para que possamos compreender melhor as linguagens da arte, classificamos em três grandes grupos – as artes cênicas, as artes visuais e a música. A literatura é também uma linguagem, que abrange todo o campo da fala e da leitura/escrita.

Cada um destes grandes grupos tem inúmeras divisões e dentro das artes cênicas temos uma primeira grande divisão que é entre o teatro e a dança.

Para entendermos porque o teatro e a dança estão juntos no guarda-chuva das artes cênicas, podemos pensar que ambos são artes da cena e que o corpo é seu principal meio de criação.

E com a frase acima eu respondo o que é se expressar cenicamente, isto é, é uma forma de expressão que se estabelece em uma cena, que poderá acontecer em muitos lugares diferentes e formatos diversos. Para que esta diversidade fique clara, pense nas diferenças entre uma cena teatral que acontece na rua com um grupo mambembe e um espetáculo de balé clássico dentro de um teatro.

Foto de Nati no Pexels

As soluções encontradas pelas duas cenas de exemplo, seja com relação aos recursos que serão utilizados, seja com relação a maneira pela qual será estabelecido o diálogo com o público mudam enormemente, mas em ambos a forma de se expressar acontece em uma cena.

O fato de o corpo ser o principal meio de comunicação tampouco significa que a maneira de utilizar o corpo será parecida, já que podemos imaginar espetáculos de dança nas quais os corpos se movimentem freneticamente e uma cena teatral na qual os personagens não saiam do mesmo lugar, mas em ambos os casos o corpo é o principal campo de expressão.

Vale lembrar que a fala faz parte do corpo!

Sonhos de uma noite de verão

 

Montagem do Teatro São Pedro, foto disponível aqui.

 

Sabe uma história na qual as tramas vão sendo criadas por meio de confusões? Pois é, essa é uma delas.

Para quem nunca leu uma peça de Shakespeare pode ser que no começo tenha alguma dificuldade com o texto, que é escrito em uma linguagem pouco usual, afinal foi escrito há vários séculos, o que faz com que sejam outras as palavras e as composições das frases. Mas quando você passa deste momento de incomodo e se propõe a imaginar e observar a beleza do que é proposto, é puro deleite!

Com direito a personagens do mundo das fadas e muitos amores que provocam dor e alegria, essa peça é leve e divertida. Leia um trecho do início da peça e aproveite para imaginar como ela poderia ser encenada. Para ler toda a peça, acesse este link

Apresentação da companhia Novelo, foto disponível aqui 

 

“LISANDRO – Então, minha querida, por que as faces tão pálidas assim? Qual o motivo de murcharem tão rápido essas rosas?

HÉRMIA – Talvez por falta da água que lhes viesse da tempestade dos meus próprios olhos.

LISANDRO – Oh Deus! Por tudo quanto tenho lido ou das lendas e histórias escutado, em tempo algum teve um tranquilo curso o verdadeiro amor. Ou era grande do sangue a diferença…

HÉRMIA – Oh sofrimento! Nascer no alto e aceitar o cativeiro!

LISANDRO – … ou mui disparatadas as idades…

HÉRMIA – Oh dor! Unir-se a mocidade às cãs!

LISANDRO – … ou tudo os pais, sozinhos, decidiam…

HÉRMIA – Não há maior inferno: estranhos olhos para escolher o amor!

LISANDRO – … ou, quando havia simpatia na escolha, a guerra, as doenças, e a morte, conjuradas, o assaltavam, qual simples som deixando-o, transitório, tão curto corno um sonho, movediço como uma sombra instável, tão ligeiro como raio de noite tempestuosa que, de súbito, rasga o céu e a terra, mas que antes de podermos dizer “Vede!” pelas fauces das trevas é tragado. Tudo o que brilha, assim, em ruína acaba.

HÉRMIA – Se sempre contrariados foram todos os amantes sinceros, é que o próprio destino o determina desse modo. Que nos ensine, pois, a ser pacientes a nossa provação, já que é desdita fatal dos namorados, como os sonhos, pensamentos, suspiros, dores, lágrimas, do pobre amor são companheiros certos.

LISANDRO – Isso consola. Porém, Hérmia, escuta-me: a sete léguas, só, de Atenas mora minha tia, uma viúva muito rica que, por filhos não ter, me considera seu herdeiro exclusivo. Em casa dela, minha Hérmia encantadora, poderemos casar-nos, por ficarmos, então, fora das rigorosas leis dos atenienses. Se me amas, foge da mansão paterna na noite de amanhã. No bosquezinho a uma légua distante da cidade deverás encontrar-me, justamente onde uma vez te vi em companhia de Helena a realizar os sacros ritos de uma manhã de maio.

HÉRMIA – Meu bondoso Lisandro, eu juro pelo mais potente arco do deus Cupido, por sua seta melhor de penas de ouro, pelas meigas pombas de Vênus, pelo que une as almas e confere ao amor virentes palmas, pelas chamas em que se abrasou Dido após abandoná-la o Teucro infido, pelas juras que a todos os instantes violado têm os homens inconstantes, mais do que numerosas, infinitas, do que as que foram por mulheres ditas: amanhã, sem faltar, no grato abrigo de que falamos, estarei contigo.

LISANDRO – Não faltes à palavra. Aí vem Helena.”

Iluminação com lanternas

Qual o papel da iluminação teatral?

Podemos pensar em vários, mas de maneira bem simplificada, pode-se dizer que é colocar luz naquilo que importa na cena.

Foto de Vaishnav Devadas no Pexels

E quem decide o que importa na cena?

Quase sempre quem decide é a companhia ou o/a diretor/diretora. Ao menos são eles que costumam decidir o que será iluminado e junto com a pessoa responsável pela iluminação, colocarão a luz naquilo que acharem necessário.

Mas para onde se destina o olhar do público, é cada pessoa que escolhe.

E se além de escolher para onde irá seu olhar, a pessoa puder escolher também qual cena ou pedaço de cena será iluminado?

A ideia de iluminar uma peça com lanternas surge desta perspectiva, de fazer a plateia participante nas escolhas sobre o que deve ser iluminado e o que deve ficar no escuro.

 

 

Foto de S Migaj no Pexels

Claro que para isso acontecer, a plateia precisa estar próxima da cena e ter uma lanterna na mão. Para quem faz apresentações teatrais em espaços escolares ou espaços que não são teatros, pode ser uma solução interessante seja pela proximidade com a cena, permitindo uma melhor audição da mesma, seja porque muitas vezes faltam equipamentos de iluminação.

E lanterna na mão, atualmente, todo mundo tem, mesmo que seja só a do celular!

Histórias com objetos

A brincadeira de hoje é de criar histórias com objetos.

Você pode escolher diferentes objetos na tua casa, não pense na história antes de escolher, pense no objeto que você quer pegar ou simplesmente ande pela casa e escolha alguns objetos, que podem ser objetos que moram na cozinha, no banheiro, na sala ou no quarto.

Depois de escolhidos os objetos, coloque-os na tua frente e comece a inventar uma história. Você pode começar pela história e então usar os objetos para ajudar a contá-la ou pode começar pegando o objeto na mão e inventar o que dizer, tendo ele como inspiração.

Vou te dar um exemplo para ajudar. Digamos que você escolheu os seguintes objetos:

  • Escova de cabelo
  • Bule de chá
  • Óculos
  • Colher
  • Lenço azul

 

Se você quiser começar com a história, talvez ela seja assim:

“Existia um grande rio azul (então nesse momento, você já pose pegar o teu lenço e fazer com que ele se transforme no rio) que era navegado por navios grandes e altos (talvez aí o teu bule vire o navio), mas um dia uma jangada resolveu que ela também queria navegar por lá (quem sabe a escola de cabelo quer ser esta jangada)…”

A continuação da história vai depender do que você quiser inventar e se você precisar de mais objetos, ande pela casa e encontre-os.

Mas você também pode olhar bem para os objetos e decidir quem eles serão na tua história e então começar a inventar.

São muitos os objetos e as histórias que podemos criar! Vai lá e inventa as suas!!!

Para imaginar cenas

Será que você é destas professoras que sempre está imaginando uma cena teatral? Ou acha isso uma coisa dificílima de fazer?

A proposta desta aula é uma maneira de promover uma explosão de imagens e todas elas em formato de teatro!

Para quem?

Qualquer pessoa de mais de 5 anos

Condições necessárias

Uma sala com espaço para que todos se movimentem, também pode ser ao ar livre.

Materiais necessários

Aparelho de som

Como acontece?

Esta proposta terá uma ação corporal somada a um estímulo verbal, que deverá gerar a imaginação de diferentes cenas.

A primeira orientação a ser dada é que os alunos devem imaginar as cenas, como se elas estivessem acontecendo em um palco teatral, mas sem que esta condição atrapalhe sua imaginação, isto é, se começarem a imaginar em outro espaço, devem deixar a imagem fluir.

Proponha diferentes ações corporais, que sejam de simples realização, para que o foco permaneça no que será imaginado e não em conseguir realizar a ação. Alguns exemplos de ações corporais:

  • Andar pela sala
  • Sentar de pernas cruzadas
  • Deitar de barriga para baixo
  • Pular
  • Levantar os braços
  • Ficar com o corpo encolhido
Foto de Felix Mittermeier no Pexels

Enquanto estas ações são feitas, uma de cada vez, proponha um estímulo verbal, que poderá ser relativo a um sentimento, uma sensação, um fato, um lugar ou o que vier na sua imaginação. Alguns exemplos de estímulos:

  • Um frio congelante
  • Uma pessoa com muito medo sozinha
  • Um pulo de paraquedas
  • Muito calor na praia
  • Um jardim florido
  • Um encontro amoroso

Você irá propor que os alunos façam uma destas ações, junto com um estímulo, então é possível que enquanto todos estão andando o estímulo seja o de uma pessoa com muito medo sozinha.

Esta junção das ações corporais, com os estímulos verbais irá provocar o imaginário para as cenas teatrais.

Você poderá juntar a isso o uso de músicas que criem diferentes climas.

Para fazer mais?

Um desdobramento possível desta proposta é que a cada momento imaginário, sejam feitos encontros de duplas que irão contar o que cada um imaginou, um para outro, possibilitando que as imagens sejam compartilhadas e criem interferências na imaginação dos outros.

 

Édipo em Colono

Édipo é famoso por muitos motivos e você poderá saber sobre o primeiro livro da trilogia de Sófocles, chamada Trilogia Tebana, lendo este post.

Édipo em Colono é continuação de Édipo Rei e irá narrar as desventuras de Édipo depois da tragédia que faz com que morra Jocasta e ele fique cego.

Édipo vai embora de Tebas e acompanhamos seu sofrimento, assim como Antígona, sua filha.

A presença dos deuses e do destino se faz evidente nesta peça, assim como nas demais da trilogia.

Vemos também a relação de pai e filha, a força de ambos em manter a dignidade, apesar das inúmeras provações pelas quais passam.

ÉDIPO em COLONO, de Jean-Antoine-Théodore Giroust.

No momento da morte de Édipo, Antígona fala:

“Ele morreu em solo estranho de acordo com sua própria vontade. Seu leito está oculto para sempre e ao nosso luto não faltarão lágrimas. Meus olhos, pai, não param de chorar sentidamente, e não sei – ai de mim! Se terá fim esta tristeza imensa que me deixaste. Querias morrer em solo estranho, mas, por que morreste assim, tão só, longe dos meus cuidados?”

Ainda que o texto nos apresente situações e crenças de um período e uma região da civilização humana, nos fala de sentimentos e conflitos vividos por todos nós.

A Travessia de Maria e seu irmão João

A companhia Artur-Arnaldo conseguiu uma solução muito interessante e envolvente para este formato possível de fazer teatro que estamos vivendo, no qual podemos viver a cena, a representação e a troca por meio das telas vistas de maneira online.

Em sua montagem podemos observar a adaptação feira do conto João e Maria com o encanto de um espetáculo feito de cuidados e de delicadeza.

A versão presencial foi premiada em 2019 pela APCA e nesta versão podemos ver parte deste espetáculo, mesmo que pelas telas. Mas, o mais interessante é a maneira pela qual fazem uso da virtualidade, incluindo a possibilidade de irmos até a floresta, de entremearmos simbologia com realidade e de vermos este jogo acontecer por meio da cena virtual.

Com um cenário lindo, que mistura a construção de casa com a projeção de luzes que ampliam esta casa de bonecos, com personagens bonecos, vividos pelas atrizes em sua duplicidade, vamos vendo este espetáculo criar duplos mais uma vez na solução virtual.

Os duplos da cena vistos nos personagens e no cenário, se tornam duplos na possibilidade de serem João e Maria no teatro e na floresta. Um permear permanente que nos mostra a potência do teatro, como linguagem metafórica, que pode estar contida no formato virtual, mas não deixa de trazer a intensidade da representação.

Hoje é o prezo final para assistir o espetáculo gratuitamente e baixar o material educativo. Você poderá acessar aqui .

Dramaturgia livremente inspirada no conto João & Maria de Neil Gaiman – Carú Lima, Júlia Novaes, Luisa Taborda e Soledad Yunge

Roteiro – Luisa Taborda e Soledad Yunge

Direção – Soledad Yunge

Assistente de filmagem e continuísta – Ana Matie Elenco – Carú Lima e Júlia Novaes

Diretor de Fotografia – Edson Kumasaka

Cenário – Rafael Souza Lopes

Figurinos – Rogério Romualdo

Trilha Sonora Original – Pedro Cury

Iluminação – Júnior Docini

Concepção e Direção de bonecos – Carú Lima

Direção de Produção: Soledad Yunge

A imaginação no teatro

Como eu imagino uma cena? Ou um personagem? Ou um cenário?

Por que é importante imaginar?

A imaginação é fundamental para vivermos, não apenas para fazer teatro. Imaginar é um processo mental que nos permite ir além do que somos e do que vivemos. Vigotsky, em seu livro “Imaginação e arte na infância” nos fala que “o cérebro não se limita a ser um órgão capaz de conservar ou reproduzir nossas experiências passadas, é também um órgão combinador, criador, capaz de reelaborar e criar com elementos de experiências passadas, novas regras e aproximações… É, precisamente, a atividade criadora do homem que o faz um ser projetado para o futuro, um ser que contribui para criar e que modifica seu presente.”

Imaginar é uma maneira de estarmos em transformação, por isso é uma ação fundamental em todos os aspectos da vida e não somente no fazer teatral.

Mas claro que para fazer teatro é necessário imaginarmos e como imaginamos?

Vou me deter na imaginação de um personagem que seja de uma criação coletiva e não de um personagem já definido por um autor.

Foto da atriz Louise Brooks, por volta de 1929. Fonte: Library of Congress.

Para imaginar este personagem partirei sempre do meu repertório pessoal. Uma boa maneira de entender o que significa isso é pensar que se eu quero imaginar uma artista dos anos de 1920 que vivia em Paris, eu partirei de algumas suposições e algumas informações. Para isto tenho que saber:

  • Como é uma mulher?
  • Qual a idade desta mulher?
  • Sei que ela é artista, mas é pintora, bailarina, atriz, cantora…?
  • É uma artista rica ou pobre?

 

 

 

 

Estas primeiras perguntas poderiam ser feitas para qualquer personagem de qualquer época e lugar, mas preciso saber mais informações para poder imaginar esta personagem que vive nos anos de 1920, em Paris:

  • O que acontecia no mundo das artes em Paris nos anos 1920?
  • Como se vestiam as mulheres desta época?
  • Como falavam? Sobre quais assuntos?
  • Quais lugares frequentavam?
  • Como se divertiam?

Sempre imaginamos partindo do nosso repertório e por isso é tão importante ampliarmos nosso repertório, não apenas para termos mais conhecimentos que nos levem a compreender melhor nosso passado e nosso presente, mas para podermos imaginar nosso futuro. E também nossos personagens!!!

Se você ficou com vontade de conhecer mais sobre esta época, poderá ver um filme muito divertido que se chama “Meia Noite em Paris” dirigido por Woody Allen e também as pinturas de várias artistas desta fase, como Berthe Morisot e Céline Marie Tabary.

Caretas na sombra

Para quem?

Qualquer pessoa com mais de 3 anos

Condições necessárias:

Uma sala escura

Materiais necessários:

Lanternas (podem ser de celular)

Foto de Engin Akyurt no Pexels

Como acontece?

Esta proposta busca explorar as possibilidades de criar sombras com caretas.

Para que as caretas possam ser vistas na sombra, precisamos explorar a lateral do rosto, de tal maneira que as mudanças de expressão que fizermos possam ser vistas na sombra.

Em um primeiro momento, explore as mudanças de distância que estamos do foco de luz e observe como a sombra se altera.

Depois disso vamos experimentar como movimentar o rosto com expressões, observando quais modificam a sombra.

A terceira parte desta brincadeira acontece com o uso de objetos que possam deformar nosso  rosto, fazendo com que nosso nariz cresça, nossa boca aumente ou fique pontuda, nossa testa ou nosso queixo sejam protuberantes ou qualquer outra coisa que você inventar.

Você pode assistir ao vídeo “Quantas caras a tua cara tem?” para se aquecer para a proposta com as lanternas.

Teatro de sombras

Acredita-se que o teatro de sombras surgiu ainda quando os seres humanos viviam nas cavernas, com suas sombras projetadas pelo fogo que os aquecia. Possivelmente uma das primeiras formas teatrais, a sombra nos acompanha permanentemente, sempre que uma luz incide nos nossos corpos.

Brincar com as sombras é algo permanente no cotidiano de muita gente, esteja ou não fazendo teatro. A exploração da própria sombra permite que qualquer pessoa conheça mais sobre seu corpo. Esta experimentação faz com que ela explore diferentes movimentos e gestos corporais, muitas vezes ampliando seu repertório de possibilidades, por estar “escondido” pela sombra, o que é um recurso positivo para quem que tem muita vergonha em expor seu corpo perante o grupo.

As formas teatrais se modificaram muito no decorrer do tempo e da história do teatro, do uso de bonecos recortados, com varetas de manipulação, temos hoje diferentes soluções de projeção dos corpos e de transparências que possibilitam narrativas diversas.

Seja qual for a solução a ser utilizada, a sombra nos coloca diante do mistério e incluir o mistério em nossas criações é algo necessário para sabermos que o desconhecido faz sempre parte do criativo.

Para conhecer mais sobre esta linguagem, você pode acessar o Clube da Sombra neste link ou conhecer o Grupo Fios de Sombra.