Anjo de Pedra

Um bom texto e boas atuações quase sempre já garantem diversão em uma peça de teatro. Anjo de Pedra tem os dois, mas tem mais!

Começo falando sobre o texto, que para quem não conhece, vale a pena! É lindo, poético e embora tenha sido escrito em 1948 por Tennessee Williams, continua atual. A adaptação foi feita pelo Nelson Baskerville e por Luis Marcio Arnaut e no programa do espetáculo é possível saber mais sobre o processo de construção do texto usado na peça.

A Sinopse da obra, divulgada no programa diz:

“Verão de 1916.

John está em férias da faculdade de medicina. Alma, sua vizinha, apaixonada desde criança, tenta se aproximar. Ela é filha de um pastor anglicano, educada na rigorosa tradição do Sul dos Estados Unidos. Para a mulher, tudo é pecado, proibido ou imoral.

Ele é uma espécie de playboy, ateu, não apegado a regras e moral, mulherengo e desleixado.

O romance entre eles é impossível. Com base no romance A virgem e o cigano [1922] de D. H. Lawrence, Tennessee Williams revive o mito da Fênix ao figurar em John as mudanças comportamentais exigidas para um “homem de bem”; e em Alma, da mulher sufocada, pela tradição e pela sociedade, àquela que busca viver sua subjetividade em plenitude.”

Foto de Ronaldo Gutierrez

Nenhum ator sobra, nem atrapalha, o que nem sempre é possível em uma montagem com 8 em cena. Há uma justeza, um pertencimento de cada personagem reconhecível nos gestos, na precisão dos movimentos, na intensidade das expressões.

Os dois protagonistas, representados por Sara Antunes e Ricardo Gelli emocionam, provocam aquele estado tão desejado quando vamos ao teatro, que é de ficar com a atenção plena no que está passando, a torcida pelo que virá, o desejo de que eles encontrem alguma maneira de viver as emoções tão pulsantes em sua plenitude. Se encontram, não direi, seria um spoiler desnecessário.

Para além da beleza do texto e da atuação, a proposta de encenação também delicia. Assisti na estreia, no Tuca Arena e a montagem faz da arena um cúmplice. A direção consegue o que se espera dela, uma integração do elenco e um espetáculo no qual nenhum elemento rouba a cena, todos dialogam, criam a trama, nos colocam em conexão.

Espetáculo de duas horas no qual em nenhum momento olhei para o relógio. Vale a pena! Vai lá!!!

Para saber mais informações, entre no instagram da peça @anjodepedra_

Direção: Nelson Baskerville

PRODUÇÃO Rodrigo Velloni

ADAPTAÇÃO Nelson Baskerville e Luis Marcio Arnaut

TRADUÇÃO Luis Marcio Arnaut e David Medeiros

ELENCO

Sara Antunes

Ricardo Gelli

Carolina Borelli

Luiza Porto

Thomas Huszar

Atrizes Convidadas: Chris Couto e Selma Luchesi

Ator Convidado: Kiko Marques

 

Assistente de Direção: Anna Zêpa

Música Original e Direção Musical: Marcelo Pellegrini

Cenografia: Chris Aizner

Iluminação: Wagner Freire

Figurino: Marichilene Artisevskis

Direção de Imagem: André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo)

Designer Gráfico: Ricardo Cammarota

Fotografia: Ronaldo Gutierrez

 

Escombros

A secura e a poeira fazem com que a sensação de estar no meio de escombros se mantenha todo o tempo.

Não há nenhum aspecto desta montagem que seja pouco significativo: o cenário é lindo e feito de forma a tornar esta peça possível. Nos vemos no meio desta cena junto com os atores, com a poeira e a terra sujando nossos corpos, com objetos que são recolhidos e por vezes dão intensidade inesperada, como a cena da porta que divide os dois personagens.

Um figurino de tons e detalhes que mostram a presença das histórias, roupas que trazem narrativas.

Os recortes, pausas e intensidade provocados pela luz e pela sonoplastia terminam de compor os elementos da cena que o grupo Sobrevento se propõe a apresentar de forma online.

Fiquei com vontade de ver de perto, de sentir o cheiro e o pó no meu corpo, de escutar a respiração dos atores, mas na impossibilidade da vida de pertinho, a opção do online permite diferentes emoções e reflexões.

Eu nunca vivi uma cidade em guerra e até hoje, viver a pandemia foi a experiência mais próxima do que meu imaginário sobre a guerra me permite saber.

Nunca, antes desta pandemia, vivi tantos escombros coletivamente. Acompanhei desastres pontuais e localizados, que são sempre tristíssimos, mas esta sensação de esfacelamento que temos vivido, buscando sempre qual é o objeto que permanece inteiro, buscando maneira de permanecermos inteiros nesta condição de expectativa para quando terá terminado estes muitos desmoronamentos que estamos vivendo, decorrente do vírus e das opções políticas de nosso país.

Com Sandra Vargas, Luiz André Cherubini, Liana Yuri, Sueli Andrade, Daniel Viana, Mauricio Santana, Agnaldo Souza, Marcelo Amaral

Direção de Luiz André Cherubini e Sandra Vargas

Dramaturgia de Sandra Vargas

Figurinos de João Pimenta

Cenografia de Dalmir Rogério e Luiz André Cherubini

Música de Arrigo Barnabe, Geraldo Roca e Rodrigo Sater, na voz de Marcio De Camillo II

Iluminação de Renato Machado

Foto: Marco Aurelio Olimpio

Programação Visual: Marcos Magalhães Corrêa

 

A Travessia de Maria e seu irmão João

A companhia Artur-Arnaldo conseguiu uma solução muito interessante e envolvente para este formato possível de fazer teatro que estamos vivendo, no qual podemos viver a cena, a representação e a troca por meio das telas vistas de maneira online.

Em sua montagem podemos observar a adaptação feira do conto João e Maria com o encanto de um espetáculo feito de cuidados e de delicadeza.

A versão presencial foi premiada em 2019 pela APCA e nesta versão podemos ver parte deste espetáculo, mesmo que pelas telas. Mas, o mais interessante é a maneira pela qual fazem uso da virtualidade, incluindo a possibilidade de irmos até a floresta, de entremearmos simbologia com realidade e de vermos este jogo acontecer por meio da cena virtual.

Com um cenário lindo, que mistura a construção de casa com a projeção de luzes que ampliam esta casa de bonecos, com personagens bonecos, vividos pelas atrizes em sua duplicidade, vamos vendo este espetáculo criar duplos mais uma vez na solução virtual.

Os duplos da cena vistos nos personagens e no cenário, se tornam duplos na possibilidade de serem João e Maria no teatro e na floresta. Um permear permanente que nos mostra a potência do teatro, como linguagem metafórica, que pode estar contida no formato virtual, mas não deixa de trazer a intensidade da representação.

Hoje é o prezo final para assistir o espetáculo gratuitamente e baixar o material educativo. Você poderá acessar aqui .

Dramaturgia livremente inspirada no conto João & Maria de Neil Gaiman – Carú Lima, Júlia Novaes, Luisa Taborda e Soledad Yunge

Roteiro – Luisa Taborda e Soledad Yunge

Direção – Soledad Yunge

Assistente de filmagem e continuísta – Ana Matie Elenco – Carú Lima e Júlia Novaes

Diretor de Fotografia – Edson Kumasaka

Cenário – Rafael Souza Lopes

Figurinos – Rogério Romualdo

Trilha Sonora Original – Pedro Cury

Iluminação – Júnior Docini

Concepção e Direção de bonecos – Carú Lima

Direção de Produção: Soledad Yunge

Mary e os Monstros Marinhos

Uma mesa e duas cadeiras. Com este cenário percorremos a história de Mary Anning. A iluminação nos conduz, junto com todas as transformações do uso destes objetos de cena pelos diferentes espaços que a peça nos coloca.

As três atrizes se transformam nos diferentes personagens e nos falam das pesquisas e descobertas feitas por Mary, de sua família, e da dificuldade vivida para que pudesse se afirmar como cientista em um mundo no qual as mulheres não tinham permissão de ser nada, além de donas de casa.

Foto Maria Tuca Fanchin

A morte, uma personagem apresentada de maneira bem humorada, tomando chás em cada pessoa que se vai, é figura presente, excessivamente presente para uma mesma família, mas que se mostra como quase uma amiga.

As cenas são poéticas e o final é de uma beleza surpreendente. No decorrer de toda a peça vemos a paixão de Mary e a montagem teatral faz jus a esta paixão pela maneira como apresenta o encantamento da personagem, mas também os objetos de sua paixão, os monstros marinhos da época dos dinossauros.

Foto Camila Picolo

O espetáculo tem dramaturgia original construída a quatro mãos – da diretora Rhena de Faria e das atrizes e integrantes da Companhia Delas Cecília Magalhães, Julia Ianina e Thaís Medeiros. A direção de arte é de Mira Haar, a iluminação de Wagner Freire e a trilha sonora original de Artur Decloedt. A equipe conta ainda com a consultoria do Prof. Dr. Luiz Eduardo Anelli, do Instituto de Geociências da USP.

Não há dúvida de que é um espetáculo que poderá inspirar muitos meninos e meninas a percorrerem suas curiosidades!

Foto Camila Picolo

Eu assisti na programação do “Festival A gente que fez” que você poderá acompanhar até o final de março. Para conhecer mais sobre o grupo e seus vários trabalhos, acesse o site da companhia aqui.

A vida de William Shakespeare

A peça que vou comentar hoje é da Cia. Vagalum Tum Tum e eu assisti no Festival “A gente que fez”, que é um festival onde crianças prepararam o festival para crianças. Vale muito a pena acompanhar a programação do festival, mas isto é assunto para outro post!

Imagem retirada de @catarsisproducoes

Podemos conhecer um pouco da história da companhia no seu site e peguei um trecho desta história para colocar aqui: “A Cia. Vagalum Tum Tum foi fundada em 2001 por Ângelo Brandini e Christiane Galvan, com a proposta de pesquisar as técnicas do palhaço inseridas no cotidiano contemporâneo e o olhar deste arquétipo para adaptar as histórias de William Shakespeare para crianças e jovens. Nestes 19 anos de história desenvolvemos uma linguagem própria e original construída através da diversidade de conhecimento de cada profissional que trabalha conosco, vindos do teatro, do circo, da música e a condução artística do trabalho feita pelo diretor e dramaturgo Angelo Brandini, que tem ampla formação nas áreas citadas.”

“A Vida de William Shakespeare” é uma série, algo que podemos chamar de teatro nesta pandemia na qual não podemos estar no mesmo espaço físico que atores e demais pessoas da plateia, mas podemos estar no mesmo espaço virtual.

Nesta apresentação o que mais fazemos é nos divertir! A forma pela qual a vida do Wil, apelido dado ao famoso Shakespeare, é contada, diverte e informa. Não importa que você já saiba tudo sobre esta pessoa que viveu há tanto tempo e que escreveu tantas peças famosas, porque o bom mesmo é ver as caras e caretas feitas pela Christiane Galvan para explicar o que acontece nesta longa história.

A leveza com que o grupo se remete às tragédias, os recursos lúdicos utilizados demonstram que é um grupo que sabe quem são as crianças, respeitando suas características e sua inteligência.

Assistir online e poder conversar com a dupla de atores, junto com uma plateia cheia de crianças equilibrou a ausência do calor do teatro cheio, me diverti muito com a apresentação e com os comentários depois. Quer ver, hoje você ainda consegue, mas corre!!! Para informações e acesso sobre o festival, acesse aqui.

Caso você não tenha visto no festival, poderá acompanhar os episódios, será lançado um por semana, toda quinta as 19h! A estréia será no dia 18/03, no youtube da Cia. Vagalum Tum Tum.

Antonia

Assisti “Antonia” da forma como é possível “ir ao teatro”, atualmente. Assistir teatro de dentro da minha casa, pela tela da TV e conseguir estabelecer uma relação com a cena, é algo que continua me espantando. A conexão se estabelece, mesmo com a distância espacial.

“Antonia” faz um ótimo uso dos recursos audiovisuais, sem que por isso passe a ser cinema. Conseguimos ver as atrizes e quase tocá-las, nesta proximidade que é criada pela filmagem. A iluminação e a troca de telas faz o movimento de escolha que poderia ser feito pelo nosso olhar.

Na descrição disponível no site da SP Escola de teatro, encontro a seguinte explicação: “Vozes cruzadas de uma mãe – estilhaços de tempos distintos – acompanham dois momentos fundamentais na vida de seu filho: o primeiro dia de aula e o leito de morte. “Antonia”, desta forma, propõe uma reflexão acerca do feminino, da maternidade e do amor.”

Ao assistir à peça, sendo alguém que já era adulta quando a AIDS invadiu nossas vidas, me lembrei deste momento, no qual tantos jovens se foram, assim como agora, mesmo que agora sejam os mais velhos com maior risco.

Para além de meu interesse como profissional da área, a peça conversa com a mãe de uma jovem, que sou. A maternidade é como o ar ou como o vírus, ocupa todos os espaços e transforma seu olhar para o mundo.

Vale a pena acompanhar o caminho de “Antonia”, sua delicadeza, embalada pela música incomparável sobre a dor da ausência de um filho.

Acesse aqui o link.

FICHA TÉCNICA

Texto de Carlos Hee

Direção: Joaquim Gama

Com Dione Leal e Elen Londero

Concepção Musical: Gustavo Dall’Acqua e Rodrigo Londero

Fotos: André Stefano

Videomaker: Jones Gama

Apoio Técnico e Artístico: Claudio Valente

Curadoria: Bartholomeu de Haro

É tudo família!

Assisti ao espetáculo “É tudo família!” na versão online e foi uma grande surpresa perceber como pude me emocionar apesar da distância física com a qual estou acostumada.

Não entrar em um teatro, nem em qualquer espaço destinado à encenação, mas continuar na minha casa, vendo do meu sofá a representação que ocorreu dos diferentes espaços onde estavam cada um dos atores.

As cenas começaram, com os personagens entrando e saindo da tela, algumas vezes com os quatro atores na mesma cena, algumas vezes com apenas um deles.

Os recursos utilizados, nos quais pudemos ver as caras que se aproximavam, com uma intimidade inusitada em rostos que se agigantavam conforme iam e vinham para perto da câmera, permitindo ver dentro da boca, foram ajustes muito bons para um espetáculo que começou presencial e virou online.

O que ficou evidente é que o formato não alterou a concepção e a possibilidade de que eu vivesse questionamentos ou emoções sobre o que é ser família.

E o que é ser família?

O texto adaptado por Tábata Makowski foi ganhador do prêmio APCA de melhor espetáculo infanto-juvenil de texto adaptado em 2018. Prêmio merecido! Nos diálogos estabelecidos vamos acompanhando os conflitos que crianças, adolescentes e adultos vivem para que as muitas versões de família possam ter seu espaço respeitado e garantido.

Mas a beleza do espetáculo não está somente no posicionamento político-social que ele faz, mas na capacidade de trazer a humanidade e as emoções vividas por todos nós na diversidade de famílias que vivemos.

O espetáculo é de Tábata Makowski, com direção de Kiko Marques, com Aline Volpi, Marcelo Peroni, Ana Paula Castro e Vladimir Camargo.

Em breve nova data para assistir online!

A Trágica História do Rei Édipo

Assisti esta peça no Sesc Jundiaí, dia 28 de setembro, um dia depois de sua estreia.

Quando a peça começou gostei tanto dos figurinos, que pensei que seria o que mais me encantaria em toda a montagem! Eles são lindos  e permitem um olhar para as personagens, especialmente para o coro, que mistura a tragicidade deste texto com o fato de serem pessoas da cidade de Tebas. As máscaras permitem que você descubra quão significativo pode ser este recurso na criação de um personagem.

Eu adoro este texto, foi o que eu escolhi para estreia aqui no blog da aba dramaturgia, onde comento diferentes textos teatrais, veja em http://teatronasaladeaula.com.br/dramaturgia/. Assistir uma montagem de Édipo é sempre um risco, risco de não alcançar a potência do texto, risco de não ser tão boa quanto outras já vistas.

Esta me cativou logo de cara com os figurinos, o jogo de luz foi o segundo aspecto que me permitiu adentrar as cenas e já seria o bastante para recomendar que você saia de casa para ir ao teatro!

Mas as cenas finais emocionaram! Tanto Jocasta (interpretada por Victória Camargo), como Édipo (interpretado por Felipe Hofstatter) dão conta da contundência deste momento tão trágico que é a descoberta de Édipo sobre si mesmo.

As fotos deste post são de André Leão, disponíveis em https://www.facebook.com/praxisreligarte/

Se você não conhece o texto, leia! Se você nunca viu esta peça montada, não perca a chance. Não fosse está uma postagem curta, eu poderia falar sobre o Tirésias e o menino, que fazem um jogo no qual os dois se amalgamam ou sobre a menina do coro que canta lindamente. Se quiser saber mais, não perca a próxima apresentação. Para conhecer sobre o trabalho do grupo, entre em https://www.facebook.com/praxisreligarte/

 

Cia. De Teatro Práxis-ReligArte

Adaptação e Direção: Alexandre Ferreira

Cenário, Figurino e Adereços: Juliana Fernandes e Vinícius Ribela

Iluminação: José Luiz Fagundes

Sonoplastia: Alexandre Ferreira

Ser_Tão de Origem

Assisti a esta peça rodeada de adolescentes em Louveira, em uma manhã gelada deste mês de agosto. A peça começou e eu me incomodei com a luz da plateia que continuava acesa, pensando se alguém teria esquecido de apagá-la. Vicio de professora-diretora que fica pensando em tudo de uma apresentação, mesmo quando não é responsável por ela! Mas aos poucos já estava dentro das histórias que resgatam a origem desta região que é hoje dividida em várias cidades, mas que já foi somente Jundiaí, cidade que adotei como minha morada.

Gostei das histórias, as cenas são poéticas, mas gostei ainda mais da perspectiva histórica proposta. A concepção de que a história se constrói nas diferentes versões apresentadas é sutilmente repetida na fala de um dos personagens. A peça nos coloca na condição de integrantes de uma reunião que decidirá qual a versão oficial sobre a fundação da cidade e eu já estava gostando muito das possibilidades apresentadas nas cenas por vezes engraçadas, por vezes intensas ou românticas.

As fotos deste post são de Gabriel Santos

Mas eu gostei mesmo de como ela termina! No programa podemos ler: “O convite é para olharmos o passado buscando entender a complexidade das relações de poder que escrevem a História, exercício que nos parece fundamental para a construção do futuro e, sobretudo, para a percepção de que a história não está dada. Que está em fazimento no instante agora, que somos responsáveis por ela e que os muitos futuros possíveis resultam de pequenas escolhas individuais.”

E foi, no final da peça que pudemos desejar um futuro para este grupo de pessoas que se encontrou no Salão de Eventos da Secretaria de Cultura de Louveira, expressando nossos desejos para uma comunidade, onde ninguém passe fome, onde a desigualdade não exista, onde as pessoas tenham direito à educação, onde o acesso à arte seja para todos, onde possamos assistir peças de teatro que nos emocionem e nos façam desejar!

Para saber onde serão os próximos espetáculos, você pode acessar https://sertaodeorigem.wixsite.com/sertaodeorigem?fbclid=IwAR0_M4Qeun6SNU3qafF811BKmPtPBnHInHkeQSQBAvoQgdkv6bfQztRNQ6g Não perca!

Ficha técnica:

Direção: Alice Possani

Dramaturgia: Tábata Makowski

Elenco: André Farias, Caroline Ungaro, Cristiano Meirelles, Tábata Makowski e Victória Camargo

 

Terrenal – Pequeno mistério ácrata

“Em cartaz em Buenos Aires há quatro anos, peça que traz o mito bíblico de Caim e Abel aos dias atuais, já foi assistida por mais de 65 mil espectadores.

Baseado na história bíblica de Caim e Abel, dois irmãos que vivem às brigas competindo tanto pela atenção do “pai” quanto pela propriedade, é o argumento de Terrenal – Pequeno Mistério Ácrata, sucesso de público e críticas, *dia 13 de Abril – Sábado 19H, no teatro do SESC Jundiaí*. A direção é de Marco Antonio Rodrigues, com tradução de Cecília Boal e um elenco composto por Celso Frateschi, Danilo Grangheia, Dagoberto Feliz e Demian Pinto, que faz a trilha ao vivo no espetáculo.


Por meio de uma linguagem cênica que prioriza a comicidade, a tragicomédia e a metateatralidade, Terrenal poetiza sobre a história de ódio entre dois irmãos, e aponta, em um pano de fundo, conflitos sociais. O texto bíblico do livro de Gênesis narra o que é considerado o primeiro assassinato do mundo, mas Kartun aproveita este mito e vai além – usa esta potência do conflito para falar de assuntos contemporâneos que envolvem justiça, riquezas e visão de mundo. Aliás, com muito merecimento, a questão tem aparecido em outras searas artísticas, como o emblemático livro “Caim”, de José Saramago, da Companhia das Letras, que nas palavras de Juan Arias, jornalista e escritor, “(…) é também um grito contra todos os deuses falsos e ditadores criados para amordaçar o homem, impedindo-o de viver, em total liberdade, sua vida e seu destino”.

Fotos deste post são de Lenise Pinheiro/Folhapress

Foi nesta apresentação de dois dias atrás que assisti esta peça. Um bom motivo para vê-la é a atuação do elenco, motivo sempre suficiente para qualquer peça, afinal, nem sempre temos um grupo de atores que vale a pena ser visto. Neste caso, vale! Envolvem, emocionam, atuam de maneira que me faz dar vontade de ir ao teatro, mesmo em uma noite chuvosa.

Como se a atuação não bastasse, o texto é lindo, o cenário cumpre sua função de maneira poética, colocando o espectador em um movimento mental de relações múltiplas e a sonoplastia é deliciosa. A peça conta com um músico/ator que faz com que a sonoridade do espetáculo seja tocante.

Tudo isso já basta? Sim, mas tem mais! A peça aborda a contemporaneidade, a situação política vivida na atualidade, as relações de poder, o olhar para a necessidade de riqueza, as relações humanas. Vale muito! Saia de casa, descubra onde assistir e aproveite.