Caretas na sombra

Para quem?

Qualquer pessoa com mais de 3 anos

Condições necessárias:

Uma sala escura

Materiais necessários:

Lanternas (podem ser de celular)

Foto de Engin Akyurt no Pexels

Como acontece?

Esta proposta busca explorar as possibilidades de criar sombras com caretas.

Para que as caretas possam ser vistas na sombra, precisamos explorar a lateral do rosto, de tal maneira que as mudanças de expressão que fizermos possam ser vistas na sombra.

Em um primeiro momento, explore as mudanças de distância que estamos do foco de luz e observe como a sombra se altera.

Depois disso vamos experimentar como movimentar o rosto com expressões, observando quais modificam a sombra.

A terceira parte desta brincadeira acontece com o uso de objetos que possam deformar nosso  rosto, fazendo com que nosso nariz cresça, nossa boca aumente ou fique pontuda, nossa testa ou nosso queixo sejam protuberantes ou qualquer outra coisa que você inventar.

Você pode assistir ao vídeo “Quantas caras a tua cara tem?” para se aquecer para a proposta com as lanternas.

Teatro de sombras

Acredita-se que o teatro de sombras surgiu ainda quando os seres humanos viviam nas cavernas, com suas sombras projetadas pelo fogo que os aquecia. Possivelmente uma das primeiras formas teatrais, a sombra nos acompanha permanentemente, sempre que uma luz incide nos nossos corpos.

Brincar com as sombras é algo permanente no cotidiano de muita gente, esteja ou não fazendo teatro. A exploração da própria sombra permite que qualquer pessoa conheça mais sobre seu corpo. Esta experimentação faz com que ela explore diferentes movimentos e gestos corporais, muitas vezes ampliando seu repertório de possibilidades, por estar “escondido” pela sombra, o que é um recurso positivo para quem que tem muita vergonha em expor seu corpo perante o grupo.

As formas teatrais se modificaram muito no decorrer do tempo e da história do teatro, do uso de bonecos recortados, com varetas de manipulação, temos hoje diferentes soluções de projeção dos corpos e de transparências que possibilitam narrativas diversas.

Seja qual for a solução a ser utilizada, a sombra nos coloca diante do mistério e incluir o mistério em nossas criações é algo necessário para sabermos que o desconhecido faz sempre parte do criativo.

Para conhecer mais sobre esta linguagem, você pode acessar o Clube da Sombra neste link ou conhecer o Grupo Fios de Sombra.

Mary e os Monstros Marinhos

Uma mesa e duas cadeiras. Com este cenário percorremos a história de Mary Anning. A iluminação nos conduz, junto com todas as transformações do uso destes objetos de cena pelos diferentes espaços que a peça nos coloca.

As três atrizes se transformam nos diferentes personagens e nos falam das pesquisas e descobertas feitas por Mary, de sua família, e da dificuldade vivida para que pudesse se afirmar como cientista em um mundo no qual as mulheres não tinham permissão de ser nada, além de donas de casa.

Foto Maria Tuca Fanchin

A morte, uma personagem apresentada de maneira bem humorada, tomando chás em cada pessoa que se vai, é figura presente, excessivamente presente para uma mesma família, mas que se mostra como quase uma amiga.

As cenas são poéticas e o final é de uma beleza surpreendente. No decorrer de toda a peça vemos a paixão de Mary e a montagem teatral faz jus a esta paixão pela maneira como apresenta o encantamento da personagem, mas também os objetos de sua paixão, os monstros marinhos da época dos dinossauros.

Foto Camila Picolo

O espetáculo tem dramaturgia original construída a quatro mãos – da diretora Rhena de Faria e das atrizes e integrantes da Companhia Delas Cecília Magalhães, Julia Ianina e Thaís Medeiros. A direção de arte é de Mira Haar, a iluminação de Wagner Freire e a trilha sonora original de Artur Decloedt. A equipe conta ainda com a consultoria do Prof. Dr. Luiz Eduardo Anelli, do Instituto de Geociências da USP.

Não há dúvida de que é um espetáculo que poderá inspirar muitos meninos e meninas a percorrerem suas curiosidades!

Foto Camila Picolo

Eu assisti na programação do “Festival A gente que fez” que você poderá acompanhar até o final de março. Para conhecer mais sobre o grupo e seus vários trabalhos, acesse o site da companhia aqui.

Maquiagem teatral para crianças

Criança deve usar maquiagem?

Esta resposta não é simples, afinal crianças tem muitas idades e são diferentes entre si, assim como os adultos.

É muito importante ter em mente que a maioria das maquiagens são feitas com produtos químicos que podem ser danosos para a pele e para a saúde de crianças e quanto menores, pior o efeito.

Então a primeira resposta para esta pergunta é, só devem usar alguma maquiagem as crianças que tem certeza de não ter nenhuma reação alérgica.

Outro aspecto a ser considerado é a razão pela qual a maquiagem poderá ser utilizada.

Neste caso, vou elencar três possibilidades:

A primeira é a maquiagem como função embelezadora, bastante usada por mulheres adultas. Neste caso, entendo ser desnecessário o uso da maquiagem, já que é improvável que uma criança precise disfarçar uma ruga ou uma pela machucada pelo tempo. Outro motivo para o não uso com esta função é o fato de não adultizarmos as crianças. Crianças não precisam ter cílios alongados ou um blush para ficar rosadas. Quase sempre elas são rosadas! E não há motivo para utilizarmos maquiagens que deixem seus rostos parecidos com o de adultos.

A segunda função é de transformação em personagens, isto é, maquiagens que busquem modificar o rosto para parecer alguém diferente da criança, como um animal, uma pessoa velha, um elemento da natureza, como uma árvore ou uma pedra. A maquiagem neste caso pode ser um grande aliado na criação de personagens e poderá ajudar a criança em uma encenação.

A terceira função é de exploração do próprio rosto, possivelmente utilizado em jogos exploratórios, quando a criança pode perceber como a intervenção de uma maquiagem pode transformar o rosto e as expressões feitas. Este trabalho com a maquiagem pode ser usado na construção de um personagem ou apenas como um exercício cênico.

A maquiagem é um recurso que oferece muitas possibilidades e vale a pena ser explorado. Para as peles mais sensíveis e os bebês, uma opção é o uso de tintas feitas com alimentos, pois estas são menos agressivas e permitem a exploração pelos pequenos que costumam levar tudo à boca.

A vida de William Shakespeare

A peça que vou comentar hoje é da Cia. Vagalum Tum Tum e eu assisti no Festival “A gente que fez”, que é um festival onde crianças prepararam o festival para crianças. Vale muito a pena acompanhar a programação do festival, mas isto é assunto para outro post!

Imagem retirada de @catarsisproducoes

Podemos conhecer um pouco da história da companhia no seu site e peguei um trecho desta história para colocar aqui: “A Cia. Vagalum Tum Tum foi fundada em 2001 por Ângelo Brandini e Christiane Galvan, com a proposta de pesquisar as técnicas do palhaço inseridas no cotidiano contemporâneo e o olhar deste arquétipo para adaptar as histórias de William Shakespeare para crianças e jovens. Nestes 19 anos de história desenvolvemos uma linguagem própria e original construída através da diversidade de conhecimento de cada profissional que trabalha conosco, vindos do teatro, do circo, da música e a condução artística do trabalho feita pelo diretor e dramaturgo Angelo Brandini, que tem ampla formação nas áreas citadas.”

“A Vida de William Shakespeare” é uma série, algo que podemos chamar de teatro nesta pandemia na qual não podemos estar no mesmo espaço físico que atores e demais pessoas da plateia, mas podemos estar no mesmo espaço virtual.

Nesta apresentação o que mais fazemos é nos divertir! A forma pela qual a vida do Wil, apelido dado ao famoso Shakespeare, é contada, diverte e informa. Não importa que você já saiba tudo sobre esta pessoa que viveu há tanto tempo e que escreveu tantas peças famosas, porque o bom mesmo é ver as caras e caretas feitas pela Christiane Galvan para explicar o que acontece nesta longa história.

A leveza com que o grupo se remete às tragédias, os recursos lúdicos utilizados demonstram que é um grupo que sabe quem são as crianças, respeitando suas características e sua inteligência.

Assistir online e poder conversar com a dupla de atores, junto com uma plateia cheia de crianças equilibrou a ausência do calor do teatro cheio, me diverti muito com a apresentação e com os comentários depois. Quer ver, hoje você ainda consegue, mas corre!!! Para informações e acesso sobre o festival, acesse aqui.

Caso você não tenha visto no festival, poderá acompanhar os episódios, será lançado um por semana, toda quinta as 19h! A estréia será no dia 18/03, no youtube da Cia. Vagalum Tum Tum.

A maquiagem na cena

A maquiagem é um dos elementos da cena teatral menos considerado e pode fazer uma mudança muito grande na criação de um personagem.

Estamos acostumadas a fazer maquiagem em situações cotidianas, principalmente as mulheres e esta maquiagem tem uma função muito diferente da maquiagem teatral, já que, de maneira geral, a maquiagem utilizada cotidianamente tem a função de corrigir defeitos da pele e ressaltar características, sempre buscando a beleza. Ainda que os padrões de beleza possam variar no tempo e no espaço, a função da maquiagem cotidiana permanece esta, responder a um padrão estético.

Foto de Laura Garcia no Pexels

A maquiagem teatral busca algo muito diferente disso, já que o que se pretende com a maquiagem é a criação do personagem, a definição de suas características e uma melhor composição de sua apresentação.

A maquiagem é uma forte aliada no trabalho do ator/atriz para que estes possam entender melhor as possibilidades de sua atuação.

Uma forma de entender este conceito é pensar em situações nas quais você faz uma maquiagem especial e se sente melhor preparada para ir a um evento, uma festa ou um baile de carnaval. Para os homens que não usam maquiagem, é possível que fazer a barba ou arrumar o cabelo deem esta mesma sensação.

Mas como usar a maquiagem no trabalho com crianças? Esta resposta você vai receber no próximo post!

O Jogo do Cenário

Para quem?

Pessoas com mais de 5 anos.

Condições necessárias:

Uma sala que permita movimento.

Materiais necessários:

Cubos grandes ou cadeiras ou caixas ou tecidos.

Como acontece?

Este jogo se propõe a criar cenários com objetos que possam configurar o espaço de diferentes maneiras. Estes objetos podem ser cubos de madeira, que suportem o peso dos alunos, ou caixas ou cadeiras.

Caso esta proposta seja feita com crianças pequenas, o objeto a ser manipulado deverá ser em um formato ou peso que a criança possa carregar, sem se machucar. Neste caso será melhor o uso de caixas vazias ou tecidos.

Defina uma sequencia de cenas que aconteçam em diferentes espaços, pode ser por exemplo:

  • A personagem está em seu quarto lendo;
  • Sai de casa e fica no portão procurando seu irmão que não respondeu;
  • Anda por uma avenida muito movimentada procurando-o;
  • Chega a uma praça tranquila onde ele está jogando bolinha de gude com três amigos.

Estabelecida a sequencia de cenas, peça para o grupo de alunos criar estes espaços com os objetos disponíveis, se forem os cubos, eles se movimentarão para transformar o lugar da cena, o mesmo acontecerá para as cadeiras, caixas ou tecidos.

Veja estas três fotos e os diferentes significados que os cubos ganharam, na primeira imagem os cubos formaram uma ponte de cristal, na segunda um nicho e na terceira o parapeito de uma janela:

        

Esta proposta busca a compreensão de como podemos criar cenários com a utilização variada de um mesmo objeto.

É importante ressaltar que esta concepção de cenário não busca uma criação realista, mas sim uma compreensão de que os objetos podem ganhar significados distintos conforme sua disposição.

Para saber mais

Procure observar cenários de diferentes montagens e ter inspiração sobre diferentes maneiras de utilizar os objetos. Você poderá ler mais sobre o papel do cenário nos dois posts aqui neste blog: Qual o papel do cenário e Mudando o cenário.

Também vale a pena conhecer o trabalho de importantes cenógrafos brasileiros, como JR Serroni, Gianni Ratto ou Daniela Thomas, dentre muitos outros.

Mudar cenários

A mudança de um cenário no meio de uma montagem pode ser um problema grande para ser resolvido, pois se não temos um palco giratório que usa do intervalo para trazer para diante do público um novo cenário, certamente esta mudança pode ser algo bem cansativo.

Não conheço nenhum espaço educativo que tenha um palco giratório. São poucos os teatros no mundo que possuem palcos giratórios, com a opção de mais de um cenário! Mas esta imagem abaixo é de um pequeno palco giratório, em uma apresentação da Companhia Le Plat du Jour.

Dificilmente precisaremos de uma condição tão complexa como esta para alterar um cenário de uma peça, portanto vamos pensar nos diferentes tipos de cenário e como estas modificações podem ser feitas.

O que é necessário ter como princípio é que tudo o que é feito de forma a interromper a cena, faz com que a apresentação se torne mais cansativa, portanto, o melhor é que a mudança de cenário seja feita pelos próprios atores e atrizes que poderão levar e trazer objetos ou mobiliários como parte da própria cena.

Evidentemente se a tua opção é um cenário realista, cheio de detalhe, o ideal é que você divida o palco em dois e cada cenário fique permanentemente montado, fazendo uso da iluminação para a mudança da cena.

Cenários feitos com painéis

No caso de cenários nos quais apenas um painel situa o local da cena, na ausência de um sistema de roldanas que troque um painel por outro, o painel pode ser trocado pro pessoas de apoio ou pelos próprios atores. E no formato de biombo, como desta apresentação da Cia Le Plat du Jour, o cenário pode ser montado e desmontado em qualquer espaço.

Cenários com objetos de múltiplos significados

Se você tiver um cenário feito de cubos ou de objetos que podem ganhar diferentes significados, como uma mesa, os atores podem alterar a disposição dos móveis ou alterar algum objeto que simbolize a mudança de cenário, por exemplo:

  • No caso de cubos, eles podem ser empilhados de forma a criarem um muro em cena ou dispostos de forma horizontal para se transformarem em cama ou mesa.
  • Uma mesa poderá ser a mesa de um escritório com um computador sobre ela e de uma casa, com um vaso de flor ou uma fruteira.

São muitas as maneiras de transformar o palco e adequar os cenários, mas em todas elas é necessário ter clareza de que o cenário existe para compor a cena e que a peça não poderá ser interrompida a todo momento para a modificação do cenário.

História com os pés

A brincadeira de hoje começa com uma massagem nos pés, amassando cada cantinho, sentindo todos os dedos e todos os ossos. Você já reparou como os pés são ossudos?

Depois de deixar os pés bem preparados para se movimentarem e entrarem em cena, você irá coloca-los para o alto, de tal forma que eles possam se movimentar com total liberdade, sem nenhuma preocupação em terem que carregar todo o resto do teu corpo.

Foto de Valeria Boltneva no Pexels

Coloque uma música e faça teus pés dançarem. Com eles lá para cima, descubra quais os movimentos que eles podem fazer. Eles podem dançar sozinhos ou acompanhados, um com o outro.

Quando você já tiver descoberto muitos movimentos dos teus pés juntos e acompanhados, você irá criar um personagem para cada pé. Talvez um deles seja um gato e o outro um cachorro! Pode ser que eles sejam dois gatos, bem amigões um do outro. Talvez teus pés não queiram ser animais, mas sim pessoas ou mesmo objetos.

Depois que você tiver escolhido quais os personagens dos teus pés, é hora de arrumar o figurino que será a melhor maneira de compor teu personagem de pé!

Com os personagens completos, é hora de começar a cena. Claro que você poderá experimentar várias ações diferentes para criar qual a cena mais gostosa de fazer. Você pode variar: de vez em quando começar a cena e descobrir o que acontece nela e outras vezes, inventar tudo só no pensamento e depois representar com teus pés.

Os pés poderão representar em muitos lugares, não só lá no alto, balançando. Eles podem estar apoiados nas paredes, em um banquinho, dentro de uma caixa e até mesmo no chão!!!

Divirta-se com teus pés, eles ficarão contentes de terem tanta atenção só para si!

É tudo família!

Assisti ao espetáculo “É tudo família!” na versão online e foi uma grande surpresa perceber como pude me emocionar apesar da distância física com a qual estou acostumada.

Não entrar em um teatro, nem em qualquer espaço destinado à encenação, mas continuar na minha casa, vendo do meu sofá a representação que ocorreu dos diferentes espaços onde estavam cada um dos atores.

As cenas começaram, com os personagens entrando e saindo da tela, algumas vezes com os quatro atores na mesma cena, algumas vezes com apenas um deles.

Os recursos utilizados, nos quais pudemos ver as caras que se aproximavam, com uma intimidade inusitada em rostos que se agigantavam conforme iam e vinham para perto da câmera, permitindo ver dentro da boca, foram ajustes muito bons para um espetáculo que começou presencial e virou online.

O que ficou evidente é que o formato não alterou a concepção e a possibilidade de que eu vivesse questionamentos ou emoções sobre o que é ser família.

E o que é ser família?

O texto adaptado por Tábata Makowski foi ganhador do prêmio APCA de melhor espetáculo infanto-juvenil de texto adaptado em 2018. Prêmio merecido! Nos diálogos estabelecidos vamos acompanhando os conflitos que crianças, adolescentes e adultos vivem para que as muitas versões de família possam ter seu espaço respeitado e garantido.

Mas a beleza do espetáculo não está somente no posicionamento político-social que ele faz, mas na capacidade de trazer a humanidade e as emoções vividas por todos nós na diversidade de famílias que vivemos.

O espetáculo é de Tábata Makowski, com direção de Kiko Marques, com Aline Volpi, Marcelo Peroni, Ana Paula Castro e Vladimir Camargo.

Em breve nova data para assistir online!