Mudar cenários

A mudança de um cenário no meio de uma montagem pode ser um problema grande para ser resolvido, pois se não temos um palco giratório que usa do intervalo para trazer para diante do público um novo cenário, certamente esta mudança pode ser algo bem cansativo.

Não conheço nenhum espaço educativo que tenha um palco giratório. São poucos os teatros no mundo que possuem palcos giratórios, com a opção de mais de um cenário! Mas esta imagem abaixo é de um pequeno palco giratório, em uma apresentação da Companhia Le Plat du Jour.

Dificilmente precisaremos de uma condição tão complexa como esta para alterar um cenário de uma peça, portanto vamos pensar nos diferentes tipos de cenário e como estas modificações podem ser feitas.

O que é necessário ter como princípio é que tudo o que é feito de forma a interromper a cena, faz com que a apresentação se torne mais cansativa, portanto, o melhor é que a mudança de cenário seja feita pelos próprios atores e atrizes que poderão levar e trazer objetos ou mobiliários como parte da própria cena.

Evidentemente se a tua opção é um cenário realista, cheio de detalhe, o ideal é que você divida o palco em dois e cada cenário fique permanentemente montado, fazendo uso da iluminação para a mudança da cena.

Cenários feitos com painéis

No caso de cenários nos quais apenas um painel situa o local da cena, na ausência de um sistema de roldanas que troque um painel por outro, o painel pode ser trocado pro pessoas de apoio ou pelos próprios atores. E no formato de biombo, como desta apresentação da Cia Le Plat du Jour, o cenário pode ser montado e desmontado em qualquer espaço.

Cenários com objetos de múltiplos significados

Se você tiver um cenário feito de cubos ou de objetos que podem ganhar diferentes significados, como uma mesa, os atores podem alterar a disposição dos móveis ou alterar algum objeto que simbolize a mudança de cenário, por exemplo:

  • No caso de cubos, eles podem ser empilhados de forma a criarem um muro em cena ou dispostos de forma horizontal para se transformarem em cama ou mesa.
  • Uma mesa poderá ser a mesa de um escritório com um computador sobre ela e de uma casa, com um vaso de flor ou uma fruteira.

São muitas as maneiras de transformar o palco e adequar os cenários, mas em todas elas é necessário ter clareza de que o cenário existe para compor a cena e que a peça não poderá ser interrompida a todo momento para a modificação do cenário.

Qual é a música?

Para quem?

Pessoas com mais de 5 anos.

Condições necessárias:

Uma sala que permita movimento.

Materiais necessários:

Aparelho de som com diferentes sons e músicas.

Como acontece?

Esta proposta pode ser feita como um exercício de improvisação ou como parte da construção de um personagem dentro da montagem de uma peça teatral.

A primeira coisa a fazer é definir qual a personagem que cada aluno irá representar e saber quais as características desta personagem.

Após esta definição, crie ações básicas e cenas curtas para que a personagem possa improvisar. Podemos considerar ações básicas:

Caminhar

Comer

Trocar de roupa

Dormir

Tomar banho

 

As cenas curtas dependem da personagem, mas pode ser:

  • Um almoço de trabalho ou de estudo
  • Uma conversa ou uma briga com alguém
  • Um momento de compra em uma loja qualquer
  • Participando de um jogo

As ações básicas, assim como as cenas curtas serão feitas com diferentes músicas, de tal forma que a música auxilie o aluno a identificar as características e a maneira de agir da personagem.

Sons do ambiente

O ambiente no qual vivemos está repleto de sons. Os sons do nosso cotidiano variam de acordo com o lugar onde vivemos, com o espaço onde estamos e com o horário do dia ou da noite.

Quando pensamos na situação fictícia que é a da cena teatral, podemos optar por reproduzir a sonoridade realista, reproduzindo com a maior fidelidade possível o espaço ficcional que está sendo representado ou não.

A escolha por fazer uma cena realista está centrada na concepção de teatro que acreditamos e na função social do teatro.

Podemos nos utilizar dos sons de maneira a criar um espaço imaginário, recurso muito utilizado quando os espaços representados são difíceis de serem criados com o cenário, por exemplo:

A cena se passa em uma floresta e a montagem não possuí recursos para a criação de um cenário realista de floresta. Desta maneira o som pode criar o reconhecimento espacial.

Também é possível a utilização de sons que remetem ao ambiente, porém de maneira distorcida, para criar um efeito dramático, por exemplo:

  • Um gigante se aproxima e o som de seus passos é altíssimo, muito mais alto do que seria, caso gigantes andassem por aí!
  • Um trem está quase atropelando uma personagem e o som do trem também é aumentado, para criar uma enorme expectativa. Na sequência o som do trem pode ser abaixado drasticamente e ouviremos apenas o grito da personagem, quando se depara com seu atropelamento iminente.

O que percebemos com as escolhas sonoras para a cena é que elas poderão ou não reproduzir o ambiente representado, mas sempre teremos que escutar quais são os sons que estão no nosso imaginário!

Encontrando um clima

Foto de Vova Krasilnikov no Pexels

 

 

 

Para quem?

Pessoas com mais de 5 anos.

Condições necessárias:

Uma sala que permita movimento.

Materiais necessários:

Aparelho de som com diferentes sons e músicas.

 

 

 

Como acontece?

Escolha uma cena com duas pessoas conversando. É possível partir de uma cena já escrita ou de um tema para uma conversa, como por exemplo:

  • Duas amigas decidindo para onde irão viajar nas férias
  • Um casal de namorados conversando sobre um filme que acabaram de assistir
  • Um pai e uma filha conversando sobre as notas que ela teve na escola.

Proponha uma improvisação para uma destas cenas e escolha três músicas muito diferentes para tocarem durante a cena. Além de música, é possível também colocar um ruído ou um som, como o som de uma tempestade, o barulho de uma britadeira ou uma buzina muito alta.

Observe como o som interfere na cena, qual o clima que ele promove e se altera o desenrolar das ações e dos diálogos.

Caso vocês escolham fazer este exercício com uma cena que já esteja escrita, não será possível observar alterações na fala, porém a intensão do que está sendo dito pode ser modificada pela maneira como o texto será dito.

Que horas são?

Foto de Andrey Grushnikov no Pexels

Para quem?

Qualquer pessoa que reconheça os horários do dia.

Condições necessárias:

Uma sala que permita movimento.

Materiais necessários:

Nenhum

Como acontece?

Escreva em um pedaço de papel diferentes horários do dia e da noite, que podem ser horas de relógio ou momentos relacionados ao horário, como: hora do almoço, começo da madrugada, ao amanhecer, etc.

Divida os alunos em pequenos grupos e peça que cada um escolha um dos papeis com um horário definido. Cada aluno irá escolher uma ação que permita à plateia identificar qual o horário sorteado por ele/ela. Embora estejam em pequenos grupos, esta atividade é individual e pode ser feita com uma pessoa por vez, porém caso seja um grupo de alunos muito grande, será cansativo fazer com um de cada vez.

Posicione o grupo em uma relação de palco e plateia. Para isso não é necessário ter um espaço com um palco construído, basta que seja estabelecido qual o lugar do palco e da plateia na sala de aula.

Depois que todos tiverem feito a proposta individualmente, agrupe-os em quartetos ou quintetos e peça que escolham ou sorteiem novamente um horário, porém desta vez todos irão estar na mesma cena, no horário escolhido.

As cenas serão definidas parcialmente, definindo quem eles são, onde estão e qual o motivo para estarem naquele horário juntos. O restante será improvisado. Por exemplo:

  1. Um grupo de vizinhos na rua, no meio da madrugada, porque um motorista bateu o carro no portão de uma das casas, derrubando-o.
  2. Uma família almoçando, às 13h.

Após a improvisação das cenas, os comentários poderão observar o quanto os horários ficaram evidentes.

Para fazer mais

É possível dar continuidade a esta proposta, associando uma emoção ao horário, nos papeis sorteados, tanto para o que será feito individualmente, como em grupo.

OBS: Esta proposta partiu do jogo homônimo proposto por Viola Spolin.

Antonia

Assisti “Antonia” da forma como é possível “ir ao teatro”, atualmente. Assistir teatro de dentro da minha casa, pela tela da TV e conseguir estabelecer uma relação com a cena, é algo que continua me espantando. A conexão se estabelece, mesmo com a distância espacial.

“Antonia” faz um ótimo uso dos recursos audiovisuais, sem que por isso passe a ser cinema. Conseguimos ver as atrizes e quase tocá-las, nesta proximidade que é criada pela filmagem. A iluminação e a troca de telas faz o movimento de escolha que poderia ser feito pelo nosso olhar.

Na descrição disponível no site da SP Escola de teatro, encontro a seguinte explicação: “Vozes cruzadas de uma mãe – estilhaços de tempos distintos – acompanham dois momentos fundamentais na vida de seu filho: o primeiro dia de aula e o leito de morte. “Antonia”, desta forma, propõe uma reflexão acerca do feminino, da maternidade e do amor.”

Ao assistir à peça, sendo alguém que já era adulta quando a AIDS invadiu nossas vidas, me lembrei deste momento, no qual tantos jovens se foram, assim como agora, mesmo que agora sejam os mais velhos com maior risco.

Para além de meu interesse como profissional da área, a peça conversa com a mãe de uma jovem, que sou. A maternidade é como o ar ou como o vírus, ocupa todos os espaços e transforma seu olhar para o mundo.

Vale a pena acompanhar o caminho de “Antonia”, sua delicadeza, embalada pela música incomparável sobre a dor da ausência de um filho.

Acesse aqui o link.

FICHA TÉCNICA

Texto de Carlos Hee

Direção: Joaquim Gama

Com Dione Leal e Elen Londero

Concepção Musical: Gustavo Dall’Acqua e Rodrigo Londero

Fotos: André Stefano

Videomaker: Jones Gama

Apoio Técnico e Artístico: Claudio Valente

Curadoria: Bartholomeu de Haro

Histórias na rádio

Será que você algum dia ouviu uma novela de rádio? Ou ouviu uma história apenas gravada?

A brincadeira de hoje é essa: criar uma história somente com sons.

Você pode começar escolhendo qual história irá usar para a tua gravação. Pode ser a história de um livro, pode ser uma peça de teatro ou pode ser uma história criada por você.

Claro que você poderá fazer a gravação somente com improvisações, sem um roteiro prévio, mas será muito mais difícil.

Foto de pexels-skitterphoto

Portanto a primeira parte é ter toda a história escrita como um roteiro. Por exemplo:

“Narrador: A tarde estava cinzenta e parecia que a chuva não tardaria a chegar. (Som de vento ao fundo) Marina já estava cansada de ler o texto que precisava terminar naquela tarde. (som de página virando)

Marina: Lucas, o que você tá fazendo? (gritando)

(som de vento e trovão)

Marina: Lucas!!!! Por que você não vem aqui?

(som de tempestade começando)

Marina: Lucas! (som de cadeira se arrastando que se mistura com uma música de suspense)”

Depois de estar com todo o roteiro pronto, você irá fazer uma pesquisa sonora com objetos e com músicas. Caso você tenha algum instrumento musical, também poderá utilizar. Então teu roteiro ficará com anotações referentes a maneira pela qual você irá fazer os sons. Veja:

“Narrador (minha voz bem grave): A tarde estava cinzenta e parecia que a chuva não tardaria a chegar. (Som de vento ao fundo – feito com folhas de papel) Marina já estava cansada de ler o texto que precisava terminar naquela tarde. (som de página virando – feito com um livro)

Marina (minha voz mais aguda): Lucas, o que você tá fazendo? (gritando)

(som de vento e trovão – apito, papel e gravação para o trovão)

Marina (minha voz cada vez mais aguda): Lucas!!!! Por que você não vem aqui?

(som de tempestade começando – feito com água caindo no balde)

Marina: Lucas! (som de cadeira se arrastando que se mistura com uma música de suspense – feito com cadeira no chão de madeira e a música e a música Sindicato de Media Noche  de Estúdios Talkback)”

Com todo teu roteiro feito, é hora de gravar. Certamente um celular será um ótimo aparelho para gravar e você também pode editar, juntando partes que tenham sido gravadas separadas, se necessário.

Com a história pronta, chame teu público, peça que todos fechem os olhos e aproveitem da tua história sonora!

História com os pés

A brincadeira de hoje começa com uma massagem nos pés, amassando cada cantinho, sentindo todos os dedos e todos os ossos. Você já reparou como os pés são ossudos?

Depois de deixar os pés bem preparados para se movimentarem e entrarem em cena, você irá coloca-los para o alto, de tal forma que eles possam se movimentar com total liberdade, sem nenhuma preocupação em terem que carregar todo o resto do teu corpo.

Foto de Valeria Boltneva no Pexels

Coloque uma música e faça teus pés dançarem. Com eles lá para cima, descubra quais os movimentos que eles podem fazer. Eles podem dançar sozinhos ou acompanhados, um com o outro.

Quando você já tiver descoberto muitos movimentos dos teus pés juntos e acompanhados, você irá criar um personagem para cada pé. Talvez um deles seja um gato e o outro um cachorro! Pode ser que eles sejam dois gatos, bem amigões um do outro. Talvez teus pés não queiram ser animais, mas sim pessoas ou mesmo objetos.

Depois que você tiver escolhido quais os personagens dos teus pés, é hora de arrumar o figurino que será a melhor maneira de compor teu personagem de pé!

Com os personagens completos, é hora de começar a cena. Claro que você poderá experimentar várias ações diferentes para criar qual a cena mais gostosa de fazer. Você pode variar: de vez em quando começar a cena e descobrir o que acontece nela e outras vezes, inventar tudo só no pensamento e depois representar com teus pés.

Os pés poderão representar em muitos lugares, não só lá no alto, balançando. Eles podem estar apoiados nas paredes, em um banquinho, dentro de uma caixa e até mesmo no chão!!!

Divirta-se com teus pés, eles ficarão contentes de terem tanta atenção só para si!

Criando um texto coletivamente

Para quem?

Qualquer pessoa que saiba escrever com fluência

Condições necessárias:

Uma sala que permita movimento.

Materiais necessários:

Papel e lápis ou caneta. Também pode ser um computador.

Disponível em https://tommo.com.br

Como acontece?

Inicie escolhendo com o grupo um tema sobre o qual improvisar. O tema deve ser, preferencialmente, algum de interesse do grupo. Existe a possibilidade de escolher temas relativos a assuntos que precisem ser trabalhados em outras disciplinas escolares, mas esta condição costuma gerar desinteresse.

Definido o tema, proponha a realização de cenas curtas, que durem um minuto, com todo o grupo em roda, em volta da cena, como em um teatro de arena.

Realize quantas cenas forem necessárias para que todos os que queiram possam improvisar.

Depois de feitas estas primeiras cenas, divida o grupo em duplas e peça que eles escrevam as cenas que representaram. Lembre-os de escreverem no formato dramatúrgico, com indicações de ações e com diálogos.

Depois desta primeira rodada, proponha que todos escrevam uma indicação para outra cena e cada pessoa irá sortear uma cena para improvisar conforme a indicação dada.

Um exemplo de indicação para o tema da fome: Uma mãe abrindo armários e não encontrando nada para cozinhar enquanto uma criança se lamenta de fome.

Um exemplo de indicação para o tema da paixão: Um moço perseguindo a moça por quem ele está apaixonado.

Feita a segunda rodada de improvisações será possível estabelecer um roteiro para uma peça, que será escrita conforme as improvisações forem sendo feitas. A escrita pode ocorrer durante a improvisação, antes ou depois.

Para saber mais

Apresente o trabalho de um grupo teatral profissional para teus alunos, mostrando o texto resultante do processo vivenciado.

Escrita coletiva

Foto de Sadman Chowdhury no Pexels

Escrever coletivamente é uma proposta presente dentro do universo escolar e no mundo de diferentes maneiras.

Na escola, escrevemos coletivamente como parte do processo de alfabetização e a escrita coletiva possibilita que os alunos façam trocas entre si e também contém com o apoio da professora para avançar no domínio da linguagem formal e escrita.

Os trabalhos em grupo também são oportunidades nas quais todos sugerem os conceitos que estarão presentes e constroem o texto com as frases ditas pelos vários componentes da equipe.

Em muitos espaços nos quais a sociedade se organiza coletivamente, observamos a criação de um mesmo texto feita por várias mãos. As inúmeras possibilidades que a informática nos deu, faz com que um mesmo texto possa se modificar de maneira a que cada integrante de um grupo possa alterá-lo até chegar a um formato no qual todos estejam satisfeitos.

A escrita coletiva de uma peça teatral é bastante frequente como decorrência de um processo de improvisações de cenas, partindo de um tema comum.

A escrita, quase sempre, surgem das cenas representadas, que vão em um movimento de troca entre o texto escrito e a cena representado, em uma construção na qual a ação dramática alimenta a dramaturgia, que passa a alimentar novas ações, de forma permanente e cíclica.

Alguns grupos escolhem manter esta condição de permanente alteração textual e mesmo depois que a peça começa a ser apresentada, o texto transforma-se permanentemente. Outros definem um formato final, mesmo que ele sofra pequenas alterações no decorrer das apresentações. Existe ainda a possibilidade de que um dramaturgo ou dramaturga seja chamado pelo grupo para dar uma unidade textual ao que foi criado cenicamente.

Caso você queira compreender melhor a história desta forma criativa, acesse o site do Núcleo de Dramaturgia do SESI, onde você verá parte deste caminho. A definição sobre criação coletiva presente no Dicionário do teatro brasileiro: temas, formas e conceitos também irá te ajudar a compreender um pouco mais sobre esta temática no teatro brasileiro, acesse aqui.