Cair novamente, ter a sensação de repetir o mesmo equívoco, o mesmo sofrimento, as mesmas dificuldades. Quem nunca?

E quando a recaída é coletiva, é de um país e podemos pensar que caímos como humanidade em abismos que se apresentam novamente e dos quais parece que poderíamos escapar, mas não escapamos.
Falar sobre o sofrimento causado pela pandemia de Covid 19 é uma dor que para mim ainda está a flor da pele. Fico sob tensão com as memórias deste período, tanto pelas situações pessoais vividas, como pelas perdas coletivas, pelos números de mortes absurdos que vivenciamos diariamente em um looping atualizado com uma profundidade cada dia maior nos noticiários.
Nessa peça podemos ver, com a atuação potente de Victória Camargo, uma narrativa pessoal, de uma mulher que sofre uma perda insuportável. É a segunda perda desestruturante de sua vida, que relaciona sua dor a dor de tantos outros que viveram a ditadura de 64 e o descalabro de um governo violento, que levou ao número de mortes em 2020/21. Caímos nas mãos dos mesmos, nos jogamos por meio de uma escolha eleitoral deprimente, para o mesmo grupo político da ditadura e sofremos as consequências dessa queda.
Com direção de Marcelo Braga, o texto de Filipe Doutel & Victória Camargo, ganha em delicadeza pelos detalhes da cena. A contenção do espaço em oposição à explosão das emoções da personagem delimita, dá contorno, assim como a escolha dos objetos com os quais ela se relaciona. Victória nos presenteia com seu corpo que se transforma, suas expressões que nos fazem ver o sofrimento carregado, o amor pelos que partiram e a força ganha pela possibilidade de estar novamente em cena.
Para quem vive do teatro, essa peça reafirma o quanto essa linguagem é capaz de nos salvar, seja na individualidade, seja como humanidade.
Ainda não viu? Aproveita que dá tempo!

⚙️ Serviço
🗓️ Temporada: 1º a 23 de novembro de 2025
⏰ Sábados às 20h | Domingos às 19h
📍 Atelier Cênico – Rua Fortunato, 241, Vila Buarque, São Paulo
🎟️ Ingressos: R$80 (inteira) | R$40 (meia) — venda online via Sympla
⏱️ Duração: 50 min
👨🏽🦱 Classificação: 12 anos
♿ Acessibilidade para cadeirantes
💺Capacidade: 50 lugares
🎬 Ficha Técnica
Dramaturgia — Filipe Doutel & Victória Camargo
Direção — Marcelo Braga
Elenco — Victória Camargo
Cenografia e Figurino — Stephanie Fretin
Trilha Sonora — Daniel Ganjaman
Desenho de Luz — Rodrigo Palmieri
Operação de Luz — Maurício Shirakawa / Lê Carmona
Operação de Som — Maria Fernanda Assumpção
Produção — Leandro Ivo (Fulano’s Produções Artísticas)
Mídias Sociais — Laura de Carvalho
Assessoria de Imprensa — Pombo Correio
Fotos — Fábio Gansl / Marcelo Silva
















Tem origem nas cerimônias fálicas e canções. A comédia é um precursor da caricatura política. No final do primeiro ato, o coro tira suas máscaras e vai até a frente falar com a plateia sobre os acontecimentos locais.








