Palcos de Todos Nós

por Caroline Ungaro – série TEATRO: HISTÓRIA ATRAVÉS DOS PALCOS DA CIDADE

 

Jundiaí é uma cidade que cada vez mais investe em arte e cultura. Não apenas o poder público, mas também a sociedade civil (cada um de nós) e a classe artística se organizam para que a cidade seja mais artística e cultural. Esse movimento não é de hoje. Assim como os palcos foram se transformando ao longo da história, os nossos palcos, aqui da nossa cidade, também estão em constante transformação. 

 

Desde os anos 1990, a classe artística da cidade tem se organizado para trabalhar junto à prefeitura para a criação de políticas públicas culturais, para a fiscalização e cobrança de melhorias. Esse movimento civil levou à criação do Conselho Municipal de Cultura, que mais tarde se tornou o Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC) e que hoje está criando, junto à Unidade de Gestão de Cultura (UGC), o Plano Municipal de Cultura. 

 

Em mais de 30 anos, muitas histórias podem ser contadas, todas com numerosos protagonistas e infinitos coadjuvantes. Neste artigo, vou tratar da história dos nossos palcos públicos, presentes em espaços municipais de uso comum, na forma de uma linha do tempo, que se inicia com o primeiro palco público municipal e que segue até os dias de hoje: 

 

1953: O Parque Comendador Antônio Carbonari foi inaugurado. Em um dos pavilhões há um grande palco, em estilo semi-arena. Na parte externa do parque há dois coretos (palcos estilo arena). Esses palcos recebem apresentações nas feiras,  exposições, eventos e na tradicional Festa da Uva. 

 

1981: A Sala Glória Rocha, que tem estrutura de semi-arena, plateia de 334 lugares, foi inaugurada em 28 de março dentro do Centro das Artes. Fechada desde 2013, aguarda reinauguração agora em 2023. Esse palco mora na minha história, pois nele assisti a uma peça de teatro pela primeira vez, por volta de 1989 e, em 1996, aconteceu a minha estreia como atriz. A Sala Glória Rocha foi o principal palco municipal até 1996. 

1982: O Museu Histórico e Cultural de Jundiaí passou a habitar o casarão na Rua Barão de Jundiaí e dentro dele foi criada a Sala Jahyr Accioly de Souza, um salão auditório com capacidade para 80 pessoas. Palco simples, recebe diversos tipos de expressões artísticas. Já assisti nele belas apresentações de música instrumental e de corais. 

1996: O Teatro Polytheama, que funcionou de 1911 a 1975 como um espaço privado, foi reinaugurado (depois de 21 anos fechado), em 13 de dezembro de 1996, como um teatro municipal e com plateia de 1.124 lugares. Participei da programação de reinauguração como atriz, assim como muitos artistas jundiaienses. Palco italiano majestoso que recebe espetáculos de todas as linguagens artísticas. Lindo para se apresentar, mágico para assistir. 

 

2004: O Anfiteatro do Parque da Cidade, inaugurado em 21 de abril, possui arquibancada em níveis, gramada; possui capacidade para mais de 200 pessoas e tem como fundo de palco as águas da represa. A Arena do Jardim Botânico foi inaugurada em 29 de dezembro. Visual natural belíssimo, capacidade de público variável.

 

2008: O Auditório Maria Albertina, no Centro Jundiaiense de Cultura Josefina Rodrigues da Silva (Jorosil), possui plateia com 80 lugares. Todo em madeira, é bastante aconchegante para reuniões e encontros. 

 

2012: O Auditório da Biblioteca Municipal Nelson Foot, com plateia de 89 lugares, em nível, foi inaugurado em 22 de setembro. Recebe diversos tipos de eventos, inclusive artísticos. 

 

2016: O Teatro da Pracinha da Cultura do Vista Alegre é um espaço multiuso com piso de madeira, que comporta plateia de 60 lugares e foi inaugurado em 28 de maio.

2018: A Sala Jundiaí, palco do Espaço Expressa, na Unidade de Gestão de Cultura de Jundiaí, foi montada com plateia de 150 lugares. Hoje é um espaço de uso amplo e democrático. 

2021: O Espaço multiuso na Fábrica das Infâncias Japy, inaugurado em 18 de dezembro, com plateia variável, já recebeu diversas manifestações artísticas e culturais. A Arena Capivara, no Parque Mundo das Crianças, é um espaço amplo e livre. 

  

Pensando assim, linearmente, podemos sentir a evolução dos palcos na cidade, em quantidade e em qualidade; e podemos vislumbrar desejos e passos para o futuro. 

 

Você pode conhecer ou até utilizar esses palcos; para isso, entre em contato com os órgãos responsáveis e se informe sobre os horários e regras de cada um deles.  

Se conhecer algum palco, tira uma foto e me manda no instagram @palcos.da.cidade, ou marca a sua foto com a #palcosdejundiai e #palcosaomeuredor. Não usa redes sociais? Mande um e-mail: umnucleodeteatro@gmail.com

Vamos dar luz a esses espaços lindos, dentro e fora de nós. 

 

*Este artigo faz parte do projeto “Teatro: história através dos palcos da cidade”, de Caroline Ungaro, realizado com recurso do Edital de Fomento Direto a Profissionais do Setor Cultural e Criativo no Estado de São Paulo – ProAC2021, e apoiado por Circularte Educação, UM núcleo de teatro e Atuará escola de teatro. Ao longo do projeto, será publicada uma série de artigos sobre alguns dos principais tipos de espaços para apresentações cênicas que a humanidade criou, trazendo, como exemplos dessas construções, palcos que existem na cidade de Jundiaí hoje, buscando mostrar a diversidade de palcos que existem na região central e nas periferias da cidade, e incentivar as pessoas a procurarem os palcos que existem ao seu redor. Também será lançada uma videoaula que ficará disponível no canal do YouTube da Atuará escola de teatro. A videoaula será um convite para conhecermos e ocuparmos os espaços da cidade, em especial os possíveis palcos, fazendo com que sejamos espectadores e/ou fazedores de arte; será também um chamado ao fato de que a criação artística acontece através da pesquisa, do estudo, do conhecimento e que ela pode estar bem próxima de nós; por fim, será um incentivo para olharmos as estruturas arquitetônicas como um caminho para compreender a arte cênica, essa ação humana tão potente. #ProAC2021

 

PALCOS AO REDOR

por Caroline Ungaro – série TEATRO: HISTÓRIA ATRAVÉS DOS PALCOS DA CIDADE

 

Olhar ao redor e perceber o que o mundo nos oferece não é uma tarefa óbvia. 


A parte boa: a tarefa não é óbvia, é bastante trabalhosa, mas acaba por ser muito recompensadora.

Neste artigo, convido todos a olhar ao redor, observar a sua rua, o seu bairro, a sua escola, até mesmo a sua casa, e buscar, nesses lugares tão comuns a cada um de nós, possíveis palcos.

Por exemplo: eu moro no setor Oeste de Jundiaí. Nesse setor há muitos bairros. Olhando para a minha rua, que é sem saída, sempre imagino um grande palco, tipo um picadeiro de circo idílico, uma semi-arena com uma mata verde ao fundo. Imagino belas cenas acontecendo ao pôr do sol enquanto os proprietários dos últimos terrenos da rua ainda não decidiram construir casas e emparedar o fundo do meu palco de rua.

Andando mais um pouco, há uma rotatória esquisita, bem pouco redonda, mas que imagino como um palco urbano, com performances contemporâneas, trazendo poesia para os carros e pedestres que passam por lá.

A 3 ou 4 quadras de distância, tem um Centro Esportivo e Cultural, pleno de cultura do esporte e ainda com pouco de cultura artística. Nele, dentro do ginásio, atrás da trave do gol, com ecos de bolas e disputas, há um palco com piso de madeira (é lindo quando os pisos são de madeira) repleto de histórias possíveis. Ao lado desse primeiro ginásio tem outro ginásio, amplo, com o piso coberto por um enorme quadrado de tapetes de e.v.a., no qual acontecem os treinamentos de ginástica artística e também poderiam acontecer aulas de teatro. O espaço me parece perfeito para isso: de um lado uma sala de ensaio; do outro, o palco.

Andando mais duas quadras, tem um terreno público vazio, que há muitos anos é usado como palco para a celebração da Páscoa com a encenação da Paixão de Cristo pela comunidade católica da região. Um terreno precioso, tornado sagrado uma vez por ano, através de uma encenação teatral!


Pouco depois, temos uma Associação da comunidade japonesa, com uma sede enorme que tem um… palco! Um palco alto que abriga um grupo de taikô. E que poderia receber uma peça, junto do taikô. Leques. Tabis. Nô. Poderia também ter um belíssimo palco de teatro Nô. Pronto. Viu? Comecei a desejar o que não existe.


Fiz o caminho para o norte. Fazendo o caminho para o sul, encontramos um pitoresco espaço à margem de um lago cercado por árvores que parecem cenográficas. Imagino ali performances de dança e de tecidos acrobáticos. Ai, que palco lindo. 

E esse mesmo lago é tão, tão cênico, que, dando a volta nele, num bosque, tem um piso  arredondado, com uma figueira sagrada ao fundo, perfeito para qualquer tipo de ideia artística. Poderia chamar-se… eu não sou muito boa em dar nomes, mas você pode dar. Nesse palco, o da figueira sagrada, eu imaginei tantas vezes a peça teatral SER TÃO DE ORIGEM acontecendo, mas não fiz acontecer. Se você quiser, pode ouvir o áudio drama desta peça e imaginá-la acontecendo nesse lugar, ou em qualquer outro.

Voltando para o oeste, para a avenida que leva para outro canto da cidade, tem o Clube, com um palco dentro do salão de festas; e o Anfiteatro da Escola Técnica Estadual, com um espaço multiuso ladeado por janelas amplas com vista para a mata.  

Mais pra frente ainda, quando a gente pensa que não tem mais rua e o asfalto vira terra,  encontramos um auditório lindo, muito bem cuidado, uma jóia, dentro da fazenda histórica da Fundação. O lugar em si já é uma viagem cultural. Uma beleza!

No caminho que eu percorri para escrever esse artigo, encontrei e imaginei esses palcos. 

Devem existir outros. E podemos imaginar tantos outros. 

E você? Você conhece algum palco aqui da cidade de Jundiaí? 

E da sua cidade? 

E no seu mundo, quais palcos existem?

Se conhecer algum palco, tira uma foto e me manda no instagram @palcos.da.cidade, ou marca a sua foto com a #palcosdejundiai e #palcosaomeuredor. Não usa redes sociais? Mande um e-mail: umnucleodeteatro@gmail.com

Vamos dar luz a esses espaços lindos, dentro e fora de nós. 

 

*Este artigo faz parte do projeto “Teatro: história através dos palcos da cidade”, de Caroline Ungaro, realizado com recurso do Edital de Fomento Direto a Profissionais do Setor Cultural e Criativo no Estado de São Paulo – ProAC2021, e apoiado por Circularte Educação, UM núcleo de teatro e Atuará escola de teatro. Ao longo do projeto, será publicada uma série de artigos sobre alguns dos principais tipos de espaços para apresentações cênicas que a humanidade criou, trazendo, como exemplos dessas construções, palcos que existem na cidade de Jundiaí hoje, buscando mostrar a diversidade de palcos que existem na região central e nas periferias da cidade, e incentivar as pessoas a procurarem os palcos que existem ao seu redor. Também será lançada uma videoaula que ficará disponível no canal do YouTube da Atuará escola de teatro. A videoaula será um convite para conhecermos e ocuparmos os espaços da cidade, em especial os possíveis palcos, fazendo com que sejamos espectadores e/ou fazedores de arte; será também um chamado ao fato de que a criação artística acontece através da pesquisa, do estudo, do conhecimento e que ela pode estar bem próxima de nós; por fim, será um incentivo para olharmos as estruturas arquitetônicas como um caminho para compreender a arte cênica, essa ação humana tão potente. #ProAC2021

Luz nos Palcos

por Caroline Ungaro – série TEATRO – HISTÓRIA ATRAVÉS DOS PALCOS DA CIDADE

 

O mundo é um palco… começa o solilóquio de Shakespeare em sua peça Como gostais.

A vida é uma peça de teatro… diz um autor desconhecido que tornou sua frase famosa transferindo sua autoria para Charles Chaplin.

As ideias de vida, de mundo, como uma obra de arte, como um drama, e de humanidade como personagem de um espetáculo remontam, segundo um link da wikipedia, aos tempos da Grécia antiga. Poderíamos ter outras referências se fôssemos orientais, africanos ou se nossos antepassados dos povos originários guardassem seus escritos. Mas em todo agrupamento humano, em algum momento, é estabelecida a relação palco-plateia que tem as suas origens na relação narrador-ouvinte. Afinal, arte é a criação de metáforas, é a transmutação da vida. E a vida transformada, é arte. Mas e o palco?

 

O palco causa fascínio e terror. 

Em minhas andanças como educadora teatral, vivencio o chamado das pessoas para o palco: seja para destacar-se pelo prazer ou pela dor. Explico: prazer é quando a pessoa naturalmente tem o impulso de se colocar no mundo como porta-voz de algo, de alguém ou de alguma ideia; dor é quando a pessoa prefere ficar como espectadora, ouvinte, protegida como mais uma na multidão, mas sente que deve enfrentar o desafio de subir no palco e fazer-se ser vista e ouvida. Em ambos os casos, o resultado mais comum é amar e venerar o palco. 

Afinal, o que é o palco? O que é um palco? 

“Palco” é um substantivo masculino que remete principalmente ao ambiente teatral. Sua significação no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa é de um lugar: estrado ou tablado destinado às representações ou para uso variado, geralmente de madeira, fixo ou móvel, e que pode apresentar diversos formatos, de acordo com a localização da plateia. Mas é muito mais do que isso.

Palco pressupõe um lugar de destaque. Algum lugar onde um foco é estabelecido. Uma luz é acesa. Um acordo é feito: nesse lugar, algo importante irá acontecer. Se não tiver destaque, não é palco. 

O primeiro conceito que me chega – e que foi aceito por culturas urbanas de todo o mundo – é o europeu: palco como uma construção arquitetônica, presente em prédios que abrigam espetáculos, shows, reuniões etc. Aqui no Brasil, a arquitetura mais difundida foi a do palco italiano. No final do século 19 e início do século 20, diversos teatros com palco italiano foram construídos pelo Brasil afora: aqui em Jundiaí, foi o Teatro Polytheama, inaugurado em 1911. 

No entanto, não foi sempre assim: antes havia o palco do circo, a semiarena, que circulava por nosso território. No chão de terra batida ou na lona, itinerante. E esse tipo de palco, que nasce em qualquer lugar, teve seu espaço fixo aqui na terra dos Jundiás. Antes de ser Teatro Polytheama, o prédio que ele ocupa já era um espaço de eventos chamado Pavilhão Paulista, com chão de terra batida, preparado para a recepção de trupes circenses e shows, plateia em formato de ferradura e o picadeiro no centro. Sim, o palco do circo tem nome próprio: Picadeiro!

 

 

E os palcos de auditórios? Esses são palcos menos teatrais, geralmente mais estreitos e com menos recursos cênicos, feitos para reuniões, conferências, seminários, palestras, formaturas etc. e são muito comuns em escolas públicas e privadas. Na Pinacoteca de Jundiaí, que foi construída como escola estadual, tem um auditório pequeno, mas muito aconchegante. Lá foi onde participei pela primeira vez de um Conselho de Cultura da cidade e isso mudou a minha vida. Posso contar em outro artigo. 

Tem também os palcos de salões de festas, geralmente com acústica ruim, e formato de palco italiano ou misto, muito comuns em Clubes. Eu conheço o do Clube Jundiaiense (sede central e na sede de campo), do Clube Uirapuru e de vários outros. 

E tem os palcos de arena. São os meus preferidos. Eles são tão desafiadores, como a vida. Os olhares ficam por todos os lados. Não tem coxia ou rotunda para nos proteger, é uma delícia assustadora. Conheço duas arenas lindas, cercadas de natureza: uma no Jardim Botânico e outra no Mundo das Crianças. Os teatros gregos e os anfiteatros romanos eram assim, palcos de arena. Anfiteatros como os romanos não temos por aqui, mas eu conheço o Anfiteatro Liliana Paschoal Venchiarutti que fica na Escola Técnica Vasco Antônio Venchiarutti (ETEVAV).

Iluminei aqui apenas alguns tipos de palco para começarmos a nossa conversa. Nos próximos artigos, vou detalhar melhor os que estão apresentados aqui e também apresentar alguns outros.

E você? Você conhece algum palco aqui da cidade de Jundiaí? 

E da sua cidade? 

E no seu mundo, quais palcos existem?

Se conhecer algum palco, tira uma foto e me manda no instagram @palcos.da.cidade, ou marca a sua foto com a #palcosdejundiai e #palcosaomeuredor. Não usa redes sociais? Mande um e-mail: umnucleodeteatro@gmail.com

Vamos dar luz a esses espaços lindos, dentro e fora de nós. 

 

*Este artigo faz parte do projeto “Teatro: história através dos palcos da cidade”, de Caroline Ungaro, realizado com recurso do Edital de Fomento Direto a Profissionais do Setor Cultural e Criativo no Estado de São Paulo – ProAC2021, e apoiado por Circularte Educação, UM núcleo de teatro e Atuará escola de teatro. Ao longo do projeto, será publicada uma série de artigos sobre alguns dos principais tipos de espaços para apresentações cênicas que a humanidade criou, trazendo, como exemplos dessas construções, palcos que existem na cidade de Jundiaí hoje, buscando mostrar a diversidade de palcos que existem na região central e nas periferias da cidade, e incentivar as pessoas a procurarem os palcos que existem ao seu redor. Também será lançada uma videoaula que ficará disponível no canal do YouTube da Atuará escola de teatro. A videoaula será um convite para conhecermos e ocuparmos os espaços da cidade, em especial os possíveis palcos, fazendo com que sejamos espectadores e/ou fazedores de arte; será também um chamado ao fato de que a criação artística acontece através da pesquisa, do estudo, do conhecimento e que ela pode estar bem próxima de nós; por fim, será um incentivo para olharmos as estruturas arquitetônicas como um caminho para compreender a arte cênica, essa ação humana tão potente. #ProAC2021

Enquanto você voava, eu criava raízes

“Em ‘Enquanto você voava, eu criava raízes’ nenhuma palavra é dita, a dramaturgia é guiada pelos corpos em diálogo com as artes visuais, o cinema, a dança e o teatro. Nesse navegar por várias linguagens, os significados também se apresentam diversos e chegam ao público em camadas múltiplas e plurais. Assim, entre sonho e realidade, somos apenas um emaranhado de sombras e luzes, diante do imensurável, da imensidão e do mistério do abismo.” – trecho da sinopse no catálogo.

Assisti esta apresentação no Sesc Santo Amaro, em São Paulo em abril de 2023. O espetáculo começa e já te coloca no silêncio ao conseguir um escuro completo, sem frestas, que será compreensível por todos os efeitos de luz que são parte estruturante da montagem.

Vagamos, junto dos corpos dos dois atores, em uma caixa mágica que cria uma alteração da nossa percepção espacial, rompendo a linha da terra em um diálogo entre os dois, o céu e as profundezas.

Você poderia pensar que todos estes recursos técnicos e os efeitos são o que há de mais impactante nesta apresentação, mas não! O trabalho corporal de cada um dos dois é impressionante e o que eles criam poeticamente é lindo.

Fica de olho, acompanhe a dupla no Instagram e vá na próxima apresentação.

Direção, dramaturgia, cenografia e performance: André Curti e Artur Luanda Ribeiro
Música original: Federico Puppi
Iluminação: Artur Luanda Ribeiro
Cinotécnica: Jessé Natan

Jerusalém de nós

Ao entrar no teatro as duas atrizes, Elis Bráz e Victória Camargo, já estavam em cena, uma delas cantando, um canto e uma voz que ocupava o espaço. Nessa posição que estavam permaneceram, quase sem nenhum deslocamento durante todo o espetáculo. Parece estranho, né? E é mesmo, causa um estranhamento, mas é bom.

Passei por diferentes sensações no decorrer de toda a apresentação e não tenho dúvida de que o texto, os diálogos, os confrontos entre as personagens, que são de uma terra longínqua, são também nossos.

São de qualquer mulher, seja pelas violências sofridas com mais ou menos intensidade, ou seja pelo medo que carregamos com relação aos filhos e filhas desde que eles passam a existir nas nossas vidas. Mas são também dos homens, de qualquer pessoa que viva esse mundo cheio de conflitos que se renovam em uma dificuldade de diálogo que se renova em todas as épocas.

O texto e todo o contexto que ele apresenta dão margem a muitas conversas, mas o que mais me encantou foi a proposta de encenação e o trabalho das atrizes. Sou alguém que gosta de movimento e uma peça com tão pouco deslocamento poderia significar falta de movimento. Mas não!

O movimento se vê nos detalhes, na tensão que muda de intensidade e se retrata nas muitas expressões que vão traduzindo o texto dito de forma intensa, com a qualidade dos tons que apresentam inúmeras gamas. É encantador ver o que cada uma das atrizes consegue expressar somente com seu corpo, seu rosto, sua voz. Para quem gosta de ver uma boa atriz em cena, nesta peça você vai se deliciar.

Termino esse texto com uma citação do Léo Lama, retirada de seu Instagram, no qual ele pondera sobre a importância da imaginação e o papel do teatro para que ela seja ativada.

“TEATRO COMO FORMA DE PRESENÇA HUMANA. O discernimento é pauta essencial para a educação. Saber discernir entre o que é construtivo e o que é destrutivo é condição básica para um bom ensino. Em contato com exemplos edificantes ou com jornadas trágicas que possam nos sensibilizar, muito mais do que com os dogmas, as lições de moral, os sermões, podemos aprender melhor, sem didatismo. Assim o teatro se insere. A arte traz reflexão, sensibilização, abre porta para a criatividade. E toda criação vocacionada muda o mundo. O teatro é a arte da presença humana e da escuta, em tempos de virtualidade exacerbada e excessivo bombardeio visual. A verdadeira arte ativa a imaginação dentro de cada um de nós, criando interação e presença, sem que recebamos tudo pronto como uma tirania estética de passividade. O teatro é um curativo, uma necessidade. Penso.”

Fique de olho e não perca quando estiver em cartaz na tua cidade!

Texto e direção: Leo Lama
Assistência de direção: Amanda Mantovani
Produção: Aline Volpi
Elenco: Elis Bráz e Victória Camargo
Foto: Leo Lama

À flor da pele

Consuelo de Castro escreveu esta peça em 1969, há mais de 50 anos e a distância que nos separa do momento da escrita pode nos fazer pensar se é um texto que permanece atual, se vale a pena ser lido ou não.

A peça apresenta um casal, em três atos e não há dúvida de que parte dos conflitos apresentados não teriam as mesmas características, ao menos para grande parte das pessoas que vivem atualmente no Brasil e em boa parte do mundo.

A ideia de casamento foi questionada de lá para cá, o divórcio virou fato, ainda que tenha sido somente em 1977 sua aprovação, atualmente ninguém comenta de forma disfarçada o fato de uma mulher ser desquitada ou separada, como acontecia na década de 70.

Apesar das mudanças, muita coisa continua atual: um relacionamento desigual, o homem muito mais velho que a mulher, um ciúme possessivo e o medo da perda doentio.

Registro fotográfico Rodrigo Whitaker Salles

Mas para além do que a peça aborda, o que encanta é a intensidade das cenas, a dramaticidade envolvente.

Yan Michalski na Pequena enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo, fala sobre a autora:

Consuelo de Castro

“Representante destacada da brilhante geração de dramaturgos surgida sob a ditadura, Consuelo de Castro é, entre os autores dessa geração, talvez a que possui o corpo de obra mais volumoso e diversificado. Em comum com os outros, ela tem o sentimento de inconformismo e indignação que perpassa tudo que ela escreve. O que a distingue dos outros é a sua excepcionalmente visceral noção de teatralidade, um diálogo notavelmente colorido, que ela cria com uma espantosa espontaneidade, e uma inquietação que a faz partir sempre em busca de novos caminhos”.

Se ainda não te convenci a ler, leia o pedaço de uma cena e veja se a peça te convence:

 

 

 

 

 

 

À FLOR DA PELE

 CONSUELO DE CASTRO

 

CENÁRIO

Sala única de um apartamento. Móveis modernos e simples. Há uma aparência de completo desleixo. Quadros fora do lugar, garrafas empilhadas no chão, etc. Uma estante de livros. Uma vitrola. Acima da estante aglomeram-se posters coloridos, uma bandeira preta com os dizeres: “Seja realista; peça o impossível”. À direita, um sofá-cama aberto, com lençóis em desalinho. No centro do ambiente, uma mesa e duas cadeiras. Sobre a mesa há uma máquina de escrever, cinzeiros, jornais, livros, copos, uma caveira, tudo na mais perfeita desordem, À esquerda, um armário cheio de roupas de uso próprio e roupas de cena.

PERSONAGENS

 

VERÔNICA: A aluna. Vinte e um anos. Nostalgia da ordem.

MARCELO: O professor. Mais ou menos quarenta e três anos. Desespero   da ordem.

 

PRIMEIRO ATO

(Penumbra – Verônica está só no palco, Veste um traje longo, esvoaçante e branco, seus cabelos estão soltos e cheios de flores. É uma figura muito delicada. Anda de um lado para outro, lentamente. Sua expressão é de loucura suave. Traz nas mãos um alaúde, o qual toca desafinadamente. Canta com voz rouca uma canção sem melodia: Canção de Ofélia, namorada de Hamlet, cena V, ato II – Hamlet).

VERÔNICA (Entoando) – Nunca mais o veremos?   Não mais voltará? Sumiu deste mundo,  Baixai para o fundo, Que ele não voltará.

(Ela continua repetindo alucinadamente estas frases. Desafinando com o alaúde. Às vezes rodopia leve, como fantasma)

Sumiu deste mundo,  Não mais voltará.

(Ouve-se um ruído de motor. Um carro estaciona, Ela para, assustada, acende a luz rapidamente, rói as unhas. Está apavorada com a chegada de Marcelo. Olha-se no espelho, ajeita as flores no cabelo. Faz uma careta sensual, como uma menina treinando uma pose sexy. Os passos vão se tornando próximos, ela morde os lábios).

MARCELO: (Entrando bruscamente) Oi… (Olha o traje) Ofélia de  novo? (Ela assente com a cabeça. Está muito agitada e parece uma menina envergonhada que esconde alguma coisa. Corre a beijá-lo no rosto. Ele é frio e não retribui ao beijo. Ela finge não notar a indiferença dele. Rodopia suavemente e pega o alaúde).

VERÔNICA: Estou bonita de Ofélia?

MARCELO: (Balança a cabeça. Continua com ar preocupado e indiferente). Mais ou menos…

VERÔNICA: Alguma coisa contra Ofélia, Cavalheiro? (Gentil suave).

MARCELO: Contra Ofélia? Não. (Ele deposita a capa e o guarda- chuva sobre a mesa. Parece prestes a dizer alguma coisa de muito importante. Olha para ela, que continua fazendo gestos lentos, imitando uma donzela antiga, graciosamente). Eu não vinha aqui hoje. Mas eu precisava falar com você. (Ao ouvir isto ela para com a brincadeira. Vê-se que está com medo. Rói as unhas). Suponho que a senhorita já saiba… já saiba do que se trata. Não é, Dona Verônica? (Ele ironiza e sorri, ainda muito curioso; Ela assente com a cabeça jogando os longos cabelos para frente).

VERÔNICA: (Tentando desviar o assunto de que ele ameaça falar) Depois, tá? Depois você fala, bronqueia, tudo o que quiser. (Rodopia) Fala a verdade. Não fico linda de Ofélia?

MARCELO: (Sentando-se na cama vagarosamente) Se o Shakespeare te visse… tinha um enfarte. (Som, levemente irônico, mas com um ar paternal). Você parece mais a avó da Ofélia. Está estragando a personagem. (Acende um cigarro. Ela continua rodopiando, leve e infantil).

VERÔNICA: (Recitando suavemente) Que nobre inteligência assim perdida! O olho do cortesão, a língua e o braço do sábio e do guerreiro, a mais florida esperança do Estado… O próprio exemplo de educação, o espelho da elegância…

MARCELO: (Interrompendo) Quantos litros de uísque você entornou  desde o (Ironiza) “ocorrido”?

VERÔNICA: (Parando de recitar) Eu? (Finge espanto) Eu?!

MARCELO: Você sim. Quantos litros de uísque? Vamos lá…

VERÔNICA: Nenhum… (Ri) Nenhum, imagine. Por que você pergunta isto?

MARCELO: Basta olhar para suas olheiras…

VERÔNICA: (Zombeteira ainda; olhando-se no espelho) Não estou vendo olheira nenhuma… (Olha novamente. Graciosa e irônica, começa a examinar detidamente os olhos). Nenhuma mesmo. Engraçado! (Aproxima- se dele) Onde você viu olheiras em mim? Meu Marcelo… Está vendo coisa… (Tenta seduzi-lo, aproximando o rosto bem próximo ao dele),

MARCELO: É só lavar essa maquiagem pesada e você enxerga. Lava a cara e depois vem sentar aqui, direitinho, que eu preciso conversar sério com você. Certo?

VERÔNICA: (Olhando-o assustada. Morde os lábios. Senta-se ao lado dele) Você… não vai brigar comigo, vai?

MARCELO: Não. Vou apenas colocar tudo em pratos limpos.

VERÔNICA: (Levanta-se, andando de um lado para outro, Agitada) Sei que você está uma onça. (Ri) Eu sei… Mas olha… eu… eu estava fora de   mim. Completamente fora de mim…

MARCELO: Isto não justifica nada, menina.

VERÔNICA: Eu não sabia direito o que estava fazendo.

MARCELO: Você NUNCA sabe direito o que está fazendo. VERÔNICA: Aquele dia principalmente…

MARCELO: Que é que te deu na telha de…

VERÔNICA: Não sei, não me pergunte… (Tapa o rosto, teatral). Não quero falar nisto. Eu já disse. Eu estava fora de mim.

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Para ler o texto na íntegra, acesse aqui.

A Pane

Assisti “A Pane” no SESC Jundiaí no começo de outubro e, embora o elenco já fosse promissor, a peça me surpreendeu positivamente.

“Uma comédia sobre a justiça. Hóspede inesperado se transforma em réu de um jogo em que juiz, promotor, advogado e carrasco aposentados revivem suas profissões. Uma fábula que fala dos nossos dias.”

Uma situação surreal que vai mostrando diferentes facetas sobre a justiça e sobre os desejos humanos. As mudanças vividas por todos os personagens, mas especialmente pelo Traps, hóspede que se propõe a participar deste julgamento e que vai se transformando e acreditando nas diferentes versões dele mesmo, apresentadas no decorrer do processo.

Esta situação surreal retrata as inúmeras possibilidades de manipulação da justiça em suas leituras da realidade.

Além do texto genial, a proposta de encenação é linda, com cenário de Anne Cerrutti e luz de Wagner Pinto que dialogam com a direção, encontrando a condição desejada de integração na qual a cena se beneficia.

Os atores se movimentam em uma coreografia bem desenhada, sem que se torne robótica, aliás nada mais humano do que a escolha de um dos atores atuar também como ponto, sendo a memória necessária para vermos em cena tantos bons atores poderem oferecer o melhor de si.

Não encontrei a previsão das próximas apresentações, mas você pode acompanhar o trabalho seguindo o grupo no Instagram: @paneteatro. Se puder, assista!

Texto: Friedrich Dürrenmatt.
Com: Antonio Petrin, Cesar Baccan, Heitor Goldflus, Marcelo Ullmann, Oswaldo Mendes e Roberto Ascar.
Direção: Malú Bazán.
Foto: Rogerio Alves.

 

 

As imagens deste post foram retiradas do instagram do grupo

Qual a escolha que faço?

Quando vamos montar uma peça de teatro precisamos fazer várias escolhas.

Sobre o que queremos falar?

Vamos escolher uma peça pronta ou criar?

Como vamos criar o espetáculo?

Para quem será apresentado?

Como será o cenário, o figurino, a iluminação, a sonoplastia?

São muitas as perguntas que vamos respondendo conforme fazemos escolhas e as escolhas feitas podem ser feitas por muitos motivos, desde razões práticas, como por exemplo a verba disponível para elaboração dos elementos da cena ou o espaço disponível para a apresentação, como escolhas estéticas.

Um grupo de teatro pode existir, independentemente da montagem que fará e a montagem ser resultado de um processo de vivências criativas, mas também pode existir com o objetivo de montar um espetáculo pré-definido, seja pela direção, seja por parte do elenco.

A forma de apresentar, quando decorrente de uma concepção estética estará embasada em visões sobre o sentido do teatro, sobre um determinado entendimento de sua relação com a plateia ou uma visão de qual deve ser o processo de criação do personagem.

A estética teatral resultante de todas estas escolhas pode ser clara, pode ser o que guia as escolhas feitas, mas também pode ser um pouco misturada, já que a definição de todos os aspectos poderá estar pautada não em uma escolha prévia, com uma linha bem delimitada, mas como resultado de diferentes escolhas, que encontram uma coerência para esta obra, podendo carregar um certo hibridismo.

Seja qual for seu percurso, uma coisa é certa: é sempre bom conhecer o que você está escolhendo e não correr o risco de apresentar um espetáculo que diga coisas que você não gostaria de dizer, mas que ignora o sentido e por isso acaba se expressando de maneira contrária ao que você mesma acredita.

Teatro para bebês

Nas vezes que assisti uma peça de teatro para bebês foi difícil saber para onde olhar, se para a cena ou para os bebês!

Como diz Luiz André Cherubini no documentário do Grupo Sobrevento – A Bailarina, que você pode acessar neste link, é incrível a capacidade dos bebês de se maravilharem e se encantarem com coisas bem simples.

Esse maravilhamento, tão característico dos bebês, que estão permanentemente descobrindo o mundo onde estão, se evidencia na maneira pela qual se relacionam com um espetáculo teatral que consegue criar uma forma que se comunique com eles. É muito emocionante ver a intensidade deste encontro!

Grupo Sobrevento

E o que é teatro para bebês?

Uma resposta para essa pergunta seria no mínimo uma demonstração de presunção deste blog, afinal, como qualquer forma teatral, é muito difícil criar definições que não sejam visões limitadoras de uma criação artística, mas vamos tentar dar alguns contornos que ajudem a compreender.

Um aspecto fundamental para saber o que pode ser um bom espetáculo para bebês é saber mais sobre os bebês, sobre seus interesses e as diferentes maneiras com que se relacionam no mundo.

Ter como premissa que o bebê é uma pessoa com um enorme potencial poético, que se emociona de forma estética, que é sensível e que entende emoções é um bom início de caminho.

Reconhecer que os bebês estão no mundo há pouco tempo e que os sentidos são um potente canal de exploração do mundo também é parte da compreensão desta linguagem.

Scaratujas, Cia. Catarsis

Por fim, respeitar a delicadeza desta fase da vida, sem que se ofereça uma explosão de sons e cores, como se o bebê precisasse do excesso é um reconhecimento de suas características. Bebês precisam de muito no sentido de que qualquer espetáculo precisa ter muito o que dizer, ser poético e conhecer o seu público, mas precisa de pouco se pensamos em quantidade de estímulos. São seres sensíveis, mas muito atentos ao que estão vivendo!

Você pode ler neste blog comentários sobre as peças Achadouros, do Grupo Sobrevento e Scaratuja, da Catarsis. E assim que puder, leve um bebê ao teatro e se encante junto com ele!

O que se aprende ensaiando?

Para a maior parte das pessoas que não trabalha com teatro, a concepção a respeito do ensaio teatral é de ser uma ação que permite a elaboração de uma peça, a criação das cenas e culmina na apresentação do espetáculo pronto.

Sim, o ensaio é tudo isso mesmo!

Mas, quando pensamos em teatro nos espaços educativos, será que é a mesma coisa que no teatro profissional?

A primeira pergunta a nos fazermos é se na educação, o teatro precisa sempre resultar em uma apresentação? A resposta para essa pergunta não é uma só, pois depende da faixa etária, do propósito, do contexto no qual o teatro foi inserido. Nem sempre precisa resultar em uma apresentação, mas é muito interessante que resulte, principalmente quando estamos falando de crianças e jovens de mais de 10 anos.

Foto de Cottonbro no Pexels

Então o ensaio, nesta situação, terá como propósito criar a apresentação e fazer com que os alunos não fiquem perdidos no momento que estão em frente a uma plateia?

Sim e não! Sim porque o ensaio será o momento para a elaboração da peça e para que todos tenham segurança de poder apresentar seu trabalho para uma plateia. Não porque o ensaio é também o momento de criação e de aprendizagem.

Precisamos lembrar que nos espaços educativos o foco principal é a aprendizagem e que a apresentação será o resultado do que foi possível aprender.

Isso não significa que não devemos nos preocupar com a apresentação, pois a apresentação faz parte das aprendizagens da linguagem teatral, mas o ensaio não pode estar somente preocupado com a apresentação, pois desta maneira estaríamos invertendo as prioridades.

O ensaio nos ensina a relação com o público, ensina a repetir sem ficar sem graça, a descobrir a melhor maneira de encenar, justamente pela busca dentro da repetição que vai recriando e aperfeiçoando. É no ensaio também que o grupo se fortalece como tal e fica pronto para mostrar seus aprendizados em forma de cena teatral.